sexta-feira, 22 de junho de 2007

Paradise Lost

"Prelude to Descent"

Set me down, Oh set me down
On hallowed ground again
Wear me down in prayer confounded
Shadow my torment

It's dead it's over all too slow
Can't you see you’re my worst enemy?
It's over, overthrown
All I see is just faithless decree

Set me down, Oh lay me down
On ravaged ground again
Lay me down, embrace me now,
My prelude to descent

We never run the same way...
We never run the same...



Viciante este novo àlbum... http://www.paradiselost.co.uk/home/
O concerto será no Garage em Setembro...

Sim, recebi dinheiro para fazer publicidade... ;)

O dia mais longo do ano

O dia de ontem foi radiante, claro, bonito... Foi também o mais longo e o início do verão, até que enfim!!!!

Nómada


Falta apenas uma lua para o fim da época de caça, índio pensa em balanço, os fantasmas do passado que voltam a atormentar, a zona de caça esgotada, a incompetência de quem nos dirige os destinos, as pessoas despidas de sentimentos, caras pálidos desesperados com a febre do ouro, fazem crescer no índio a necessidade de procurar outras paragens, o espírito nómada que sempre esteve presente no meu ser grita mais alto e este ano vai ser um ano de mudança certa.

"Fugir" alguém disse...

Fugir sim, para longe e o mais rápido possivel...

sábado, 16 de junho de 2007

Marrocos... The call

A preparar a incursão... Agradeço dicas... Aberto a sugestões ;)

http://www.rapturecamps.com/morocco/

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Eu sei mas não devia...

“Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia. A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a não ter outra vista que não seja as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas logo se acostuma acender mais cedo a luz. E a medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão. A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar café correndo porque está atrasado. A ler jornal no ônibus porque não pode perder tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá pra almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia. A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja número para os mortos. E aceitando os números aceita não acreditar nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração. A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. A lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer filas para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas que se cobra. A gente se acostuma a andar na rua e a ver cartazes. A abrir as revistas e a ver anúncios. A ligar a televisão e a ver comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos. A gente se acostuma à poluição. As salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. A luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. A contaminação da água do mar. A lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir o passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta. A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai se afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada a gente só molha os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado. A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida que aos poucos se gasta e, que gasta, de tanto acostumar, se perde de si mesma.”

Mariana Colasanti