sábado, 24 de novembro de 2007

O Zé faz falta


"Olha o menino do BE…

José Sá Fernandes, na Câmara de Lisboa

SABIAM QUE este marmanjão custa ao orçamento da Câmara Municipal deLisboa 20 880 euros por mês ?Pois é, para sustentar o tráfico de influências deste "reivindicador" andamos a pagar do nosso bolso a onze parasitas, entre eles nove assessores técnicos, uma secretária e um coordenador de gabinete, além de um motorista para o vereador, um motorista para o gabinete e um contínuo -- tudo a recibo verde.


"O Zé faz falta!"-- Faz? Claro que sim: faz a maior falta a estas 11 encomendas!Se não vejamos:


CONTRATO PRESTAÇÃO SERVIÇOS - 11 PESSOASNome - Função/Origem/Contrato - Categoria/Vencimento (euros)

Alberto José de Castro Nunes - Assessor (50%) Renovação - 1.530 ,00

Ana Rita Teles do Patrocínio Silva - Secretária (100%) Renovação - 2.000.00

António Maria Fontes da Cruz Braga - Assessor (50%) Renovação - 1.530,00

Bernardino dos Santos Aranda Tavares - Assessor (100%) Renovação - 2.500,00

Carlos Manuel Marques da Silva - Assessor (50%) Renovação - 1.530,00

Catarina Furtado Rodrigues Nunes de Oliveira - Assessora(100%)Renovação - 2.500,00

Maria José Nobre Marreiros - Assessora (50%) Renovação - 1.530,00

Pedro Manuel Bastos Rodrigues Soares - Coordenador do Gabinete (50%)Renovação - 1.730 ,00Rui

Alexandre Ramos Abreu - Secretário (100%) Renovação - 2.000,00

Sara Sofia Lages Borges da Veiga - Assessora (50%) Renovação - 1.530,00

Sílvia Cristóvão Claro - Assessora (100%) Renovação - 2.500,00


DIVULGUEM ISTO PORQUE O ZÉ mais estes Zezinhos e estas Zezinhas só fazem falta à pata que os pôs! E não se esqueçam de que este senhor é...-- VEREADOR SEM PELOURO! --(ganda pinta, assim ainda é melhor, né???!!imaginem se alguma vez chegar a ter pelouro!..."
notícias destas é raro lêr nos "media" lol
Índio tinha de divulgar esta... encontrada num blogue esclarecido de um outro nativo... Hasta quando?!?

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Arrendamento jovem

"A verba orçamental disponível para apoiar jovens arrendatários vai estar limitada este ano a 32,7 milhões de euros, soube o DN junto do Instituto Nacional da Habitação (INH). Este plafond, inexistente em anos anteriores, corresponde a metade da despesa anual média registada entre 2004 e 2006 (cerca de 62 milhões de euros) e reflecte a nova filosofia adoptada pelo Governo em matéria de apoio a jovens que vivam em casas arrendadas, que se materializa, desde já, no abandono do programa Incentivo ao Arrendamento Jovem (IAJ).
Ao contrário do que passa com o IAJ, em que é garantido o apoio financeiro a qualquer candidato que cumpra os requisitos definidos, o próximo programa - integrado no novo instrumento Porta 65, que agregará todas as políticas sociais de apoio à habitação - vai basear-se numa lógica de concurso. Ou seja, o Governo fixará para cada ano a dotação orçamental disponível para este efeito, que condicionará depois o número de beneficiários. Deste modo, inverte-se a lógica do financiamento: a despesa deixa de depender do número de beneficiários, passando este a depender da verba disponível. Quanto à gestão do universo de beneficiário, esta será feita por via de concursos, lançados à medida das disponibilidades orçamentais do Estado.
A franca diminuição da verba disponível este ano para apoiar jovens inquilinos vai reflectir-se necessariamente numa redução do número de beneficiários. Em 2006, o IAJ apoiou 24,4 mil jovens, o que, apesar de superar em muito pouco o registado em 2004, representa o número mais elevado desde 2002. Estado pagou subsídio mensal médio de 215 euros. O beneficiário-tipo do IAJ tem 25 anos e pertence a um agregado familiar com um rendimento anual médio de 7810 euros.
Em 2006, os 24 mil jovens receberam, em média, um subsídio de 215 euros, para uma renda média não ponderada de 323 euros. Ou seja, o Estado terá suportado em média dois terços da renda cobrada aos jovens pelos senhorios.
Quase um quarto dos jovens apoiados em 2006 estão concentrados no distrito do Porto, segundo dados disponibilizados pelo INH ao DN. O distrito de Lisboa surge em segundo lugar, com 15% dos jovens beneficiários, seguido de Braga, com 14,3%. Aveiro aparece em terceiro lugar, com 14%.
Porta 65 substitui o Incentivo ao Arrendamento JovemPorta 65 - em alusão ao artigo da Constituição que consagra o direito à habitação - é o nome do instrumento de política social de habitação que vai substituir o actual IAJ e que o Governo se prepara para anunciar este mês ou no próximo.
Através deste novo instrumento anunciado em Julho de 2006, o secretário de Estado do Ordenamento do Território e das Cidades, João Ferrão, pretende adoptar uma abordagem integrada das duas principais componentes da habitação social: por um lado, o apoio às pessoas com carências habitacionais e, por outro, o apoio à autonomia dos jovens que pretendam sair de casa dos pais. O módulo dedicado aos jovens vai ser o primeiro a arrancar, presumivelmente ainda este mês. A solução encontrada pelo Governo passa por criar uma agência central responsável por contratualizar arrendamentos, funcionando assim como um intermediário entre os jovens à procura de casa e os senhorios interessados em arrendar as suas propriedades. O Executivo acredita que esta agência terá um papel muito importante na credibilização dos contratos, reduzindo os riscos de não pagamento de renda. Por outro lado, garante ainda aos senhorios uma rentabilidade fixa, independentemente da ocupação dos espaços.
Em contrapartida, espera João Ferrão, os proprietários aceitarão baixar o valor das rendas. Além disso, o Estado continuará a atribuir subsídios aos jovens mais desfavorecidos, tal como garantiu ao DN o presidente do INH, Teixeira Monteiro, mas estes terão de obedecer a uma lógica de concurso, dependendo das dotações orçamentais disponíveis."

in DN online Fev2007

A noticia fala por si... destaco o último parágrafo onde o ilustre secretário de estado João Ferrão ESPERA (sentado julgo) que os proprietários aceitem baixar o valor das rendas... Mais um excelente trabalho das novas técnicas de gestão... e estamos assim entregues aos tubarões!

A natureza e a coragem II

A natureza tem destas coisas...
Teahupoo 01 11 2007

http://www.youtube.com/watch?v=E91pK-2TUFg


e a dica para a banda sonora...
http://www.anoushkashankar.com/

ideal para sinais de fumo... :)

Conversas soltas em Bissau


O destino levou o índio a Bissau, Capital da Guiné Bissau, antiga colónia Portuguesa, descrita por influentes personagens da comunicação social (que provavelmente nunca puseram os pés em África muito menos sentiram a guerra) como "O Vietname Português", foi num clima apreensivo que dei os primeiros passos pelas ruas paradas no tempo desta cidade outrora cativante mas que hoje exibe as marcas da guerra recente pelos edifícios esburacados por balas, ruas empoeiradas, onde tenta resistir algum alcatrão ainda de outros tempos. Tudo se vende em bancas improvisadas bem ao estilo africano, parei para comprar cigarros avulso numa delas e estabeleci diálogo com um comerciante, o seu fluente Português surpreendeu-me pois encontro hoje muitos adolescentes formados nas nossas escolas que não possuem metade do vocabulário empregue por este esclarecido e humilde ser humano, ultrapassados os receios de ambas as partes o diálogo fluiu como o tempo, fiquei a saber todas as informações, "dicas" importantes para me poder "desenrascar" naquela cidade, onde comer, o que deveria visitar e de quem deveria manter-me afastado, aproveitei para cambiar moeda e deixei a conversa chegar ao inevitável tema do passado recente, inicialmente evitei o tema, mas rapidamente me vi envolvido nele, não queria despertar nenhum ressentimento, e eis que me vejo confrontado com a pergunta inesperada - "Porque é que vocês nos abandonaram á nossa sorte?" Não respondi, procurei durante alguns segundos alguma razão, uma resposta aceitável, algo... mas apenas consegui encolher os ombros e olhar para o fim da rua, sem ter tempo para me recompor surge outra afirmação - "Estamos a falar a mesma língua, somos como irmãos, somos ambos Portugueses..." ao que respondi, "Não amigo M... , eu sou Português e tu és Guineense..." e ficamos ambos sem palavras, e com dificuldade em balbuciar o que quer que fosse, despedi-me dele e fiquei com um estranho sentimento de culpa... senti que o magoei com a minha afirmação, a crua verdade por vezes não nos soa bem...



Continuei ao acaso, a deambular por avenidas largas, a espreitar o artesanato, a interagir com diversas crianças que se acercavam na esperança de obter uma moeda, ou simplesmente para dar uns pontapés numa bola improvisada, a deliciar-me com uns cajus aqui, uma manga acolá, estes sabores incomparáveis e inesquecíveis que só em África, não adianta procurar em nenhuma MegaHiperSuper superfície comercial... Até encontrar um outro amigo de ocasião, o B... que acabado de sair do seu "emprego" se prestou a levar-me numa visita guiada, começando por sugerir um café esplanada muito badalado, nos arredores da cidade, desconfiei, mas acabei por ceder, pois já tinha ouvido falar no tal "hot spot". A viagem de táxi dava outro post... o motorista ao ver-me apressou-se a correr com o cliente que tinha dentro da viatura e abrir-me a porta... estava gerada a confusão, que terminou com todos dentro do táxi, afinal até havia lugar para todos e eu não tinha pressa, até soube bem dar mais umas risadas e uma volta extra pela cidade... Ao afastar-me do centro acerco-me da dura realidade dos arredores, uma gigantesca favela, barracas a perder de vista onde tudo serve para um negócio de ocasião, a tal esplanada fortemente guardada tinha tudo o que qualquer "Piaza" ou "BBC" tem, excepto a vista, esta dava para uma favela, local frequentado por estrangeiros e mulheres locais, bebi um martinni e joguei mais conversa fora, a historia de vida impressionante do B... emigrante de nacionalidade Senegalesa misturava o fraco Português com Francês e Inglês, o entendimento era perfeito, o ambiente nem por isso, ainda guardo na memória as cicatrizes que orgulhosamente me mostrava obtidas a bordo de um navio de pesca espanhol que dizima juntamente com navios chineses e russos as riquezas subaquáticas dos bijagós... Descubro que o B... mora a cerca de 100mts daquele local e aceito o seu convite para conhecer a sua casa, aqui começa a descida ao Inferno onde vivem milhares de pessoas sem o mínimo de dignidade, as "ruas" estreitas, o cheiro nauseabundo, os insectos, os roedores convivem lado a lado numa louca normalidade, a dura luta pela sobrevivência e a grandiosa obra que o "diabo" desenvolve naquelas paragens parecem saídas das páginas do Inferno de Dante... A casa de B... uma barraca em madeira com telhado de zinco onde se cozinha á porta em panelas esburacadas sobre brasas, mas onde fui recebido com calor humano e humildade... Obrigado por tudo B... tens muito mais valor do que algumas "amizades" que me estão próximas... Uma coisa é ver na televisão este cenário, vivê-lo marca-nos, transforma-nos, abre-nos os olhos, faz-nos pensar no sentido de tudo isto, e claro surge a pergunta - Onde estão os responsáveis por tudo isto? Sentados nas suas belas cadeiras, refastelados, ou escondidos na nossa história recente?
Ao ver os navios no porto a descarregarem SUV's novos da Mercedes o sentimento de revolta faz-me virar costas, o valor de uma daquelas viaturas permitia abrir uma biblioteca? equipar um hospital? uma escola? Até quando teremos de suportar esta geração rasca que nos governa os destinos? E muito mais havia para contar...