quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Ausência

A história repete-se ano após ano, olhas em teu redor e não me vês...
Poderás algum dia perdoar-me?

"Ausência

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

Carlos Drumond de Andrade"


Ver o tempo fugir-me por entre os dedos e saber que jamais o poderei recuperar... existirá tortura maior? Só me resta lutar para me libertar e agarrar o tempo que ainda temos e ser-mos juntos aquilo que nunca fomos...

Perdoa-me quando o puderes fazer.
Amo te cada vez mais!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Considerações sobre este espaço

Algumas F.A.Q.'s sobre "A luneta do índio"


De onde sacas as fotografias?

As fotografias de nativos são retiradas da colecção "The North American Indian" criada por Edward S. Curtis, um tipo do sec.19 que se entretinha a tirar fotografias a uma cultura exterminada as mãos do homem branco das terras geladas da Europa, enquanto a maioria se divertia a alvejar nativos "selvagens" e bisontes até ao aniquilamento total, Edward S. Curtis aprendia as bases de uma rica e incompreendida cultura, registando fases, frases e figuras marcantes para a posteridade. Um génio visionário, um legado para a humanidade. Esta referência impunha-se neste espaço.

Este blog é anónimo?
Bem... Sou EU que escrevo estes textos, eles não caem do céu, estarei cá (enquanto for vivo) para responder por eles, e se alguém achar a questão do nome importante podem chamar-me: Grande Chefe "Mau Fígado".

Este blog não tem comentários porquê?
Essa é fácil, porque este blog não faz nem recebe publicidade, porque este blog não pedincha a ninguém, porque este blog não quer arrastar atrás de si um exercito de desmiolados, porque este blog não existe para ganhar medalhas, porque este blog não lambe botas a ninguém muito menos quer ser lambido por alguém, porque este blog borrifa-se nas modas, porque este blog odeia politicas e influencias de massas, porque este blog não é para ser consumido, porque este blog publicita verdades universais que não têm comentário a fazer, porque este blog não se junta em matilha, porque este blog borrifa-se para o facto dos leitores apreciarem ou não a mensagem, porque este blog não fala de futebol ou de gajas boas, porque este blog não revela a minha intimidade ou se coço ou não o saco ao acordar num dia radiante de sol, porque este blog não expõe as minhas criancinhas ou as suas primeiras cagadas, porque este blog não serve para impressionar as futuras conquistas amorosas, porque este blog não serve para expor ao mundo o quanto mentecaptos são os meus colegas de trabalho, porque este blog não usa e abusa de jacobinismo gratuito, porque este blog não publica anedotas, piadinhas ou graçolas... e por ai fora...

Qual a origem da paranóia/pancada/obsessão que rodeia o tema "índios/nativos"?
Tem certamente ligação ás minhas raízes genealógicas próximas nativas, porque a minha educação foi influenciada por familiares nativos, porque a tribo de que sou descendente foi dizimada/desbaratada pela ganância de outros, os que nos forçaram a abandonar as terras e hábitos de gerações, os que forçaram os homens, adolescentes e crianças a pegar em armas e usa-las contra outros sobre ameaça de vida constante, porque é a única cultura ou modo de vida ecologicamente sustentável que a humanidade concebeu, porque os nativos respeitam a natureza por dela dependerem directamente em equilíbrio frágil, porque de todos os espíritos com que me cruzei nesta existência aqueles que mais admiro, respeito, pela inigualável pureza de alma são nativos.

Como resolver a crise?
Basta ler atentamente este blog... Sugiro começar pelo primeiro "post"...

O que vamos fazer depois de destruir o planeta?
Pá essa não sei... Ehrrr... Destrui-lo de novo? Destruir outro planeta qualquer? Confesso que não sei responder a esta... Apanharam-me... :D

Uma oportunidade de ouro

"China: França «vai pagar» por reunião com Dalai Lama
Ameaça de boicote aos produtos franceses depois de Sarkozy se ter encontrado com o líder espiritual do Tibete

Vários jornais chineses avisaram esta segunda-feira a França de que deve esperar consequências após o encontro de sábado entre o presidente Nicolas Sarkozy e o Dalai Lama, que desencadeou um «vivo protesto» de Pequim, refere a Lusa.
Estes jornais, muito controlados pelo Estado, que vê no chefe espiritual dos Tibetano um temível separatista, deixaram entender que esta iniciativa francesa pode desencadear um boicote aos produtos franceses na China, em editoriais que recordam acções semelhantes da Primavera passada.
«Inevitavelmente, haverá um preço importante a pagar para uma provocação tão forte sobre uma questão que atenta à unidade nacional da China e os seus interesses vitais», advertiu, num comentário publicado na primeira página, o Diário do Povo, órgão do Partido Comunista Chinês.
O China Daily considerou que o «arrogante presidente francês» poderá apenas culpar-se a ele mesmo se as vendas dos produtos franceses baixarem na China e que «efectivamente ele o terá procurado».
«A preferência do governo pode determinar as compras de Airbus ou de Boeing. Mas não pode (...) fazer comprar aos consumidores marcas pelas quais têm ressentimento, seja Louis Vuitton ou Carrefour», revelou o diário de língua inglesa.
O jornal nota que reunindo-se sábado na Polónia com o líder espiritual tibetano, Sarkozy foi «o único líder europeu a encontrar o Dalai Lama enquanto presidente rotativo da UE».
O chefe de Estado francês manteve esta entrevista de meia hora em Gdansk à margem de uma reunião de Prémios Nobel da paz, entre os quais o Dalai Lama foi laureado em 1989, apesar das repetidas advertências da China.
A China convocou domingo o embaixador da França, Hervé Ladsous, para manifestar «um vivo protesto» à realização do encontro entre Sarkozy e o Dalai Lama."

in "Portugal Diário" 08-12-2008 - 11:44h

Parece-me evidente que este "boicote" não será exclusivo aos produtos Franceses, mas sim a todos os produtos "made in EU", será esta uma boa oportunidade para banir também as "bugigangas" que diariamente são descarregadas em Roterdão no "Europoort" provenientes deste "el dorado" económico? Precisamos mais deles ou eles de nós? Ao tomar atitudes proteccionistas estaremos a:
- Recusar produtos produzidos por mão de obra escravizada.
- Recusar produtos de um dos maiores poluidores do planeta.
- Recusar produtos da maior lista de violações dos direitos universais do homem.
- Recusar produtos sem o mínimo controlo de qualidade.
- Recusar produtos contrafeitos, placebos, e nocivos.
- Recusar produtos dos maiores produtores de gazes nocivos á camada de ozono, os conhecidos "R's" da química, banidos da UE mas que entram na UE com rótulos falsos.
- Recusar produtos de um dos maiores produtores de armamento.
- Proteger os europeus nas suas regalias sociais e emprego de qualidade.
- Bloquear as nossas empresas menos sérias que produzem na china por "tuta e meia" e vendem na UE produtos superinflacionados, aumentando margens de lucro à custa de mão de obra escrava e deslocalizações.
- Evitar custos e consequências ambientais do transporte de mercadorias provenientes "do outro lado do planeta".
- Recusar produtos de um estado arrogante, ditatorial, facínora, e de politicas de constante bloqueio a qualquer acção tomada em sede das Nações Unidas.
- Recusar produtos de um pais que não respeita resoluções das Nações Unidas.
- Recusar produtos de um país onde não existe liberdade de expressão ou imprensa livre.
(...)
Esta lista parece infindável, quem quiser saber mais pode consultar este sítio mas o que verdadeiramente está em causa aqui é a escolha entre dois mundos distintos, uma espécie de batalha entre o bem e o mal, esta metáfora que sempre acompanhou as nossas sociedades e que no fundo se resume a uma questão de escolha. O nativo estará sempre contra a exploração do homem pelo homem e contra os atentados ao ambiente. O nativo acolhe e aprende com os ensinamentos do Dalai Lama, repudiando as politicas repressivas, por mais que doa a alguns que se encontram no meio de nós e que terão também o direito á sua escolha, como o nosso (ig)nobel saramago, os nossos políticos que não me representam, os tubarões da finança e da exploração, e a panóplia de opinadores que defende a cartilha do "liberalismo económico".
Hoje índio vai gritar do alto da sua caixa de fruta:

LIBERTEM O TIBETE!!!!!
FREE TIBETE!!!!

mais info preciosa aqui


Índio compla na loja do chinês?
na na na... Índio não sele otálio...


sábado, 6 de dezembro de 2008

Maus espíritos

Depois de várias luas de ausência, Índio volta a subir a caixa da fruta e toma a palavra, pregando para um deserto povoado por lacraus e cascavéis, não para falar dos deputados que faltaram a votações da assembleia da república porque estavam em representação da mesma em Paris... Não para falar sobre o saque que as poupanças, fruto do trabalho de milhares de nativos, estão a ser alvo, devoradas pelas mandíbulas cerradas dos "Tubarões" da alta finança... Não para me lembrar que cada vez que coloco combustível na minha viatura, esse dinheiro segue para as mãos de um ex-politico (ou político "wanabee") que está ao serviço (como humilde administrador) da empresa que possui o monopólio da refinação de crude em Portugal, uma empresa de "amigalhaços" que por sua vez paga ao cocainómano amigo do "nosso" primeiro "engenheiro de domingo", sim aquele que chegou atrasado na história e que se prepara para dissolver a sua assembleia nacional tornando-se no vitalício "Ducce" da camisa vermelha que usa os meus niqueis para comprar armas a outro tipo porreiro pá... um tal de putin, outro saudosista da triste história do final do sec.XX. Mas sobre isto toda a gente percebe e comenta... Ehrr Bem todos menos os comentadores de cartola que nos entram pela casa dentro por uma caixa mágica, ou os jornalistas "malabaristas do plagiado".
Mas o que realmente me faz escrever este post são os maus espíritos, não estes que falei apesar da conotação óbvia, mas sim dos que me perseguem...
Passaram quinze anos desde que me cruzei com este par de espíritos malignos, e durante todo este tempo estas nuvens negras distorceram a minha vida, mesmo nas minhas barbas, com o meu consentimento, porque afinal fui eu que os convidei a assombrarem-me, fruto de ignorância ou simples moda passageira, a curiosidade que matou o gato ou a procura de satisfazer caprichos ou pequenos prazeres desconhecidos. Este ano foi o ano em que me decidi a confronta-los, a romper os seus tentáculos que me asfixiavam, roubando-me a preciosa vida.



O xamã aceitou-me de volta, mostrou-me o caminho e deixou a luta nas minhas mãos, estas batalhas travam-se no plano mental, no plano físico e no domínio emocional, não haverá tréguas, e o combate será longo, irá durar meses a fio, e tudo será feito para que eu desista e me entregue de novo ao seu domínio, aguardando uma penosa e breve marcha até ao fim...
Irei desistir? Nunca o fiz, e conto com o meu enorme orgulho, que quase podia considerar também um espírito maligno, contudo este não me rouba a vida, leva outras coisas, menos preciosas, ou que provavelmente não me estariam destinadas, mas não a chama que me permite apreciar a beleza que nos rodeia e que muitas vezes ignoramos, maltratamos, destruimos... Afagar o pêlo de um gato, o olhar fiel e bondoso de um cachorro, o sol e a sua luz, ver a semente tornar-se planta, as ondas no mar e tudo o que se pode fazer nelas e claro acima de tudo o amor, o amor que se dá e recebe, o amor que em ano de crise estará em abundância na minha casa e em meu redor... Em dia especial escrevo não uma promessa, uma certeza!!

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

ANIMAL tenta travar Rodeio no Porto, mas Tribunal não colabora

Interposta providência cautelar, mas dado prazo de dez dias para as partes acusadas se defenderem...

"A Associação ANIMAL interpôs uma providência cautelar para impedir a realização do «1º Rodeio no Porto», que se realiza entre esta quinta-feira e domingo, mas a 3ª Vara Cível do Porto não colaborou, dado que deu dez dias às partes acusadas para fazerem oposição. Ou seja, o polémico evento vai mesmo realizar-se.

Segundo a associação, «foi requerida a não audição da parte contrária, tal como previsto no n.º 1 do artigo 385.º do Código de Processo Civil, justificada pela urgência do procedimento e pelo facto da audição da parte contrária, desde logo pelo tempo que levaria, poder pôr em risco sério o fim ou a eficácia da providência, tal como previsto para situações excepcionais no Código de Processo Civil».

GNR defendeu animais em rodeio brasileiro
Protestos contra rodeio no Porto

O Tribunal optou por ouvir as partes contrárias (BB Produções, Câmara Municipal do Porto e Porto Lazer, Empresa Municipal) num prazo de 10 dias, dando hipótese de se oporem ao requerido pela ANIMAL. Ou seja, o procedimento cautelar não terá sucesso.

Em todo o caso, a associação garante que «dará seguimento a este procedimento cautelar, mesmo a posteriori do rodeio, não só porque confia nas provas fortes e no caso sólido que tem contra o 1.º Rodeio no Porto, mas também porque quer uma decisão judicial sobre este rodeio em particular, mesmo que ela não tenha chegado antes do rodeio acontecer».

«É absolutamente vergonhoso, ao mesmo tempo que é um sintoma de como se comportam os municípios neste domínio, ver a Câmara Municipal do Porto e a empresa municipal Porto Lazer a licenciarem e apoiarem um espectáculo de violência contra animais, cuja ilicitude foi confirmada por uma decisão recente do Tribunal Judicial de Faro», referiu o presidente Miguel Moutinho"

Portugal Diário 18/09/2008
A justiça dos brancos...

terça-feira, 16 de setembro de 2008

A tempestade II

"Ministro das Finanças comenta falência da Lehman Brothers
Teixeira dos Santos surpreendido com duração da instabilidade nos mercados financeiros

15.09.2008 - 18h53
Por Lusa

Teixeira dos Santos diz que a evolução da falência do Lehman Brothers deve ser acompanhada atentamente
O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, manifestou-se surpreendido com a duração da instabilidade que tem afectado os mercados financeiros, hoje agravada com o anúncio da falência do Lehman Brothers, o quarto maior banco norte-americano, reconhecendo o impacto negativo que esta crise tem nos agentes económicos.

"Creio que há uma ano atrás todos esperávamos que esta situação e a incerteza que daí decorria se pudesse desvanecer mais rapidamente", declarou Teixeira dos Santos à margem do fórum dos empresários e gestores portugueses e luso descendentes de França, em Paris, quando confrontado com as consequências da falência do Lehman Brothers.

O ministro português afirma que a crise "está a ter uma duração que está a surpreender todos". "Ninguém há um ano atrás esperaria que se demorasse tanto tempo a ultrapassar esta situação nos mercados financeiros", acrescentou.

Teixeira Santos defendeu que é "importante" que as autoridades europeias e nacionais, incluindo as portuguesas, "sigam atentamente" a evolução da situação em consequência da falência do Lehman Brothers, "preservando a solidez e a estabilidade das suas instituições financeiras".

O membro do Governo sublinhou que "o próprio Banco Central Europeu já teve o cuidado de intervir no mercado, injectando liquidez, concertando-se com as autoridades nacionais, com outras autoridades de outras regiões, como os EUA, procurando manter a normalidade do funcionamento dos nossos mercados monetários, que é fundamental".

O ministro das Finanças reafirmou que, apesar da revisão em baixa das previsões de crescimento económico na Zona Euro, só irá divulgar o novo quadro macroeconómico quando apresentar o Orçamento do Estado para 2009 em meados de Outubro."


Isto é no mínimo cómico...
Mais uma "injecção" no sistema... quac!

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Passou tanto tempo desde a última vez que falamos
Senti-te feliz, a irradiar aquele brilho que te caracteriza e distingue
Despiste-me de todos os meus receios
A cada palavra que proferias
Respondia com o silêncio

Disseste tudo o que me recusava a ver
Toda a verdade que deturpo com o meu orgulho
Todo o medo e fragilidade que me esforço por esconder
Despiste-me a cada palavra

Como me conheces bem

Conquistaste um espaço no meu coração
Que o tempo ou qualquer outra marca jamais apagará

Preciso de ti
Mesmo que seja apenas em recortes... espalhados pelo tempo.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

CERN da questão II

A propósito... ehrrr... Estou a escrever outro post... Isso significa que a tal experiência correu bem?

:)

Incompetência

Presente nas suas mais variadas formas em todas as áreas profissionais, mas não se restringe exclusivamente a este âmbito da actividade social humana, ás relações profissionais, a incompetência aparece também em todas as outras formas de relacionamento social humano.

"Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Incompetência é a inabilidade de alguém de desempenhar adequadamente uma determinada tarefa ou missão."

índio compara-a com um cancro, uma má formação genética com a qual todos nascemos, sendo por isso intrínseca à própria natureza humana. Tal como num carcinoma, a incompetência alastra, desenvolve-se no individuo, alimentando-se de factores externos e internos, mal acautelados durante a fase de desenvolvimento e de formação de personalidade. Uma característica que a distingue de um carcinoma maligno, exponenciando os seus efeitos nefastos é a sua capacidade de contágio, propagando-se por outros indivíduos, levando inevitavelmente á morte do tecido base de uma relação social. Porém á semelhança do cancro, a incompetência pode ser derrotada, expelida do organismo fruto de uma aguerrida luta interior precedida da necessária introspecção para identificar a sua presença, causas e consequências. Estar vigilante para identificar os "ataques" exteriores, não sermos seduzidos por outros "doentes" e finalmente participar na "campanha de vacinação" colectiva com uma atitude pessoal que encoraje outros a travarem as suas próprias lutas interiores contra este "mal" que nos aflige.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

O "CERN" da questão

Está em curso o "recriar em laboratório" do "Big-Ben", o momento inicial (t=0) do "aparecimento/criação" do nosso universo em teoria. Espera-se conseguir dados que possam alargar o nosso conhecimento sobre o universo que nos rodeia. A vanguarda da física reúne-se na Europa em torno desta experiência particularmente interessante por nos poder revelar mais dados sobre o conceito de "anti matéria", o inverso da matéria física que conhecemos. Este conceito está presumivelmente associado à existência no universo dos chamados "buracos negros", sobre os quais se conhece muito pouco, estes pequenos corpos (na escala celeste) absorvem a matéria circundante anulando os conhecidos conceitos de volume e densidade que conhecemos da física clássica. Esta experiência lembra-me uma criança sozinha em casa, sentada na sala junto dos cortinados e com uma caixa de fósforos na mão. Se tudo correr bem, a criança adquire mais técnicas e conhecimento necessário ao seu desenvolvimento, se correr mal, poderá queimar toda a casa, morrendo no incêndio. Qualquer adulto responsável evitaria deixar os fósforos ao alcance...
Uma coisa é brincar às espécies, criar novas espécies, mistura-las com as provenientes da evolução ou mutar as que já existem, vegetais ou animais, outra coisa será despoletar o mecanismo de expansão ou retracção cíclico do universo, isso seria "muito à frente"...
Claro que estar contra ou a favor não nos adianta de nada, temos a tecnologia, é inevitável usa-la, resta-nos torcer para que corra bem e que se possa alargar mais o nosso leque de conhecimentos. Se correr mal, não irá sobrar nada que possa contar a história, restará apenas esperar por novo ciclo expansivo da matéria toda concentrada num ponto algures na Europa e que a nova evolução não degenere na praga do homo sapiens!
As várias probabilidades estão asseguradas pelo cálculo de vários computadores afirmam os responsáveis pelo projecto. Não me tranquiliza... ainda me parece uma aposta elevada demais para um simples jogo de poker...

domingo, 31 de agosto de 2008

Um estranho país

Governado durante décadas por um dos maiores sanguinários de todos os tempos, detentor do recorde absoluto de almas torcidadas, almas que me atreveria a classificar de sortudas por não terem que suportar o que as suas compatriotas (camaradas por aquelas bandas) vivas padeciam ás mãos de um regime cómico, onde se advogava a igualdade entre todos mas onde uns eram mais iguais do que outros. Um povo escravizado durante décadas, forçado a trabalhar sem abrir o bico em unidades industriais de produção de armamento em massa conseguiu a imbecil proeza de reunir o maior arsenal da história da humanidade, contas feitas, capaz de destruir o planeta mais de uma dezena de vezes. Esta anormal e imbecil proeza levou-os a acreditar na "grandiosidade" da sua pátria, que se esforçava por tentar esconder uma miséria humana decrepita, fome e carências de todo o tipo. Um pais onde ainda hoje se tem por hábito dizer entre o povo por alturas de um nascimento que: "Se for rapaz será militar, se for rapariga será prostituta e terás um negócio."
Este estranho país marcado pelos inúmeros traumas psicológicos colectivos e aptidão nata para se organizar em máfias foi fazendo história à custa de intervenção directa e brutal em povos e territórios alheios espalhados pelo mundo fora á custa de promessas ideológicas forçadas com fervor fundamentalista bem suportado por uma máquina de terror projectado e arsenal bélico sem rival. Esboça uma mudança de atitude na década de 90, em desespero, sufocado na sua própria imbecilidade, e constatando a inevitabilidade da derrocada lança um pedido de socorro ao ocidente perante a fuga da sua esfera de influência de todos os povos anteriormente oprimidos. A comunidade internacional corre em seu auxilio, sempre com a cautela devida á delicadeza da situação, mas a disponibilizar fundos, comida e "know how" para ajudar a recuperar aquele "irmão europeu?!" tresmalhado. Este "irmão" tresmalhado, hoje anafado(algumas máfias, as que tiveram ao seu alcance o bolo dos recursos), fruto da sua entrada no comércio internacional e da venda desregulada de artigos úteis à humanidade (armas e munições) retoma a filosofia que afinal sempre lhe esteve subjacente. A arrogância com que ameaça o ocidente que lhe acudiu enquanto definhava na década passada e o recente veto no conselho de segurança das nações unidas sobre a questão do Zimbábue, justificado com o argumento da não ingerência nos assuntos políticos internos de uma nação soberana caem por terra e demonstram a dualidade de posições (falsidade diplomática) na recente violação da integridade territorial da Geórgia e no reconhecimento unilateral da independência de dois enclaves anteriormente destabilizados por sua influência e completamente à margem das nações unidas que lhes serve apenas para bloquearem qualquer iniciativa legal à luz do direito internacional que o ocidente se prepare para tomar, apoiados pelos bem intencionados Chineses que para alem de bloquearem a intervenção internacional ajudam o Ilustre Mugabe com um carregamento de armas.
As recentes ameaças de recorrer a força militar contra um pais membro da NATO e da UE por este se decidir (bem a meu ver) tomar medidas defensivas contra a ameaça crescente e real para toda a Europa proveniente das armas de longo alcance desenvolvidas no Irão merecem uma resposta pronta, corajosa e unida, mas até agora apenas o tão criticado Bush fez algo de concreto...
Atenção a esse Putin... O filho da mãe Rússia...

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Iniciativa da fundação Orwell Prize

"George Orwell, o 'blogger' póstumo

George Orwell, escritor britânico (autor de "O Triunfo dos Porcos", uma das suas obras mais polémicas) começou a escrever um diário a 9 de Agosto de 1938. Desde então, registar no papel o quotidiano dos seus pensamentos e da sua vida passou a ser um hábito permanente.

Agora, desde o último 9 de Agosto de 2008, 70 anos depois, os seus pensamentos, curiosidades e reflexões estão disponíveis na íntegra na Net. A iniciativa parte da Orwell Prize, fundação que organiza o prémio para escrita política com o nome do escritor.

A sua “escrita mais pessoal”, a que está nos seus diários, pode ser vista diariamente no blogue:

orwelldiaries.wordpress.com

Segundo o professor Seaton, professor na universidade de Westminster, conhecemos um Orwell observador: “É Orwell não na sua vertente mais polémica; é Orwell numa vertente mais controlada e observadora”. “Acho que se vivesse nos dias de hoje seria certamente um blogger”, afirmou Seaton citado pelo "New York Times".

No site da fundação pode ler-se que “cada entrada do seu diário vai ser publicada exactamente 70 anos depois de ter sido escrita por Orwell”.

As preocupações de Orwell vão desde curiosidades sobre plantas, animais, madeira e quantos ovos puseram as suas galinhas até às considerações (que serão publicadas a partir de Setembro) sobre a Guerra Civil de Espanha, o fascismo, o comunismo e a certeza de que haverá uma Segunda Guerra Mundial.

Desta forma os leitores podem seguir até 2010 a sua “recuperação quando viajou para Marrocos, o seu regresso ao Reino Unido, e as suas opiniões sobre a Europa até à guerra em tempo real”. Os diários terminam em 1942, três anos depois do início do conflito.

Os diários de Orwell foram publicados em 20 volumes, em 1998 por Peter Davidson. Alguns dos textos políticos não publicados na altura vão fazer parte do blogue."


In PÚBLICO 26.08.2008 - 16h33

O índio faria referência ao célebre "1984". Possuo uma referência a este autor num "post" anterior, uma leitura indispensável e actual apesar de escrito no inicio do século passado.

O dia perfeito

O destino proporcionou ao nativo um dia perfeito, que começou cedo, num local onde o sol é pontual ao longo de todo o ano e rompe por entre uma densa vegetação acolhedora, que albergava um frenesim de actividade, as iguanas, macacos aranha, tucanos e outras aves fizeram-me sentir como se tivesse acordado tarde demais. Tinha um brinquedo novo que me fazia correr doses extra de adrenalina pelo sangue, alugado no dia anterior numa pequena cidade próxima, já desfigurada pela ganância do dinheiro, onde alguns esclarecidos lutam por manter aquele paraíso no seu estado natural. Era uma "big gun" colorida pela qual me apaixonei á primeira vista e que me fez atravessar um verdadeiro dilúvio nocturno cheio de peripécias para a conseguir ter, sonhando com uma incursão pelo surf clássico que sempre me atraiu, uma tábua rude, sem tapete no "tail" e mal encerada constituía um desafio á minha parca experiência.
Despedi-me do anjo ensonado e embrulhado nos lençóis brancos, que me resmungou por a deixar só, um beijo suave na testa bastou para que aquele sorriso, que desperta o que há de melhor dentro de mim, a confortasse. Percorri descalço os escassos metros que me separavam da areia branca da praia ainda deserta e contemplo o pacífico imponente que me enfeitiçava, a ondulação estava perfeita para o clássico, metro e meio e bem formado, ao longe identifiquei os picos e por onde entrar, mas a separar-me deles estava um canal que liga uma extensa lagoa coberta de vegetação ao mar. A tabela de marés que tinha visto no quarto na noite anterior estava correcta e passavam cerca de cinco horas da maré cheia, estávamos para lá de meio da vazante, a velocidade da corrente nesse canal impunha respeito, no final desse canal estavam alguns rochedos descobertos pela maré vazia e a rebentação do pacífico, ser arrastado para aquela zona era uma palhaçada que não podia acontecer. Percorro a margem desse canal para montante a estudar as possibilidades e a ganhar coragem para atravessar esse obstáculo natural que o grande espírito colocava entre mim e os picos perfeitos onde ambicionava estar no inicio da maré enchente. Ao longe avisto o primeiro homo sapiens surfer, que se debatia com o mesmo problema, observo a sua primeira tentativa abortada muito a jusante e espero que ele se aproxime, raciocinando da mesma forma ao procurar uma zona mais a montante. A expressão de ambos dispensava qualquer formalidade e passamos a lidar em conjunto com o problema.
- "Have u ever crossed this strong streams?" disse-me.
- "No mate, it's my first day here, I think this is the easiest spot to try..." respondi.
- "Yeah it's my first day here too... Let's get into the water and see what happens" Disse-me, e foi o que bastou para vencer algum receio que a situação apresentava. Começou ai a luta, a tábua atingiu uma velocidade louca e a instabilidade era enorme, o canal que teria uns 20 metros passou a ter 200 na diagonal e obrigou-me a um esforço de remada enorme para manter a tábua equilibrada e bem dirigida á margem e evitar a tal "palhaçada". Ele safou-se bem, tinha uma 6"2 pequena e manobrável do mesmo tamanho da que uso aqui em Portugal e eu estava com aquele "navio" bem maior do que eu que corria a toda a velocidade para uma zona complicada cheia de remoinhos que fazia lembrar uma máquina de lavar. Ou chegava á margem ou teria uma situação muito preocupante a resolver, era demasiado tarde para abortar. Apliquei tudo o que tinha para dar e sai da situação em grande, como eu gosto da sensação que estas aventuras me proporcionam, sinto-me vivo, sinto-me capaz, sinto-me forte.
Na margem despedimo-nos com um sorriso cúmplice de missão cumprida que dispensou qualquer palavra, percorremos o areal com a rapidez provocada pela adrenalina que nos corria pelo sangue, a chamada "pica", fiquei no primeiro pico que apareceu, onde já não se sentia o efeito daquela foz maligna, ele continuou até outro pico mais distante. Antes de me embrulhar na primeira descansei da luta para chegar ao "outside" e contemplei o que me rodeava, o azul infinito do pacífico e do céu por um lado e por outro o areal branco que delimitava o azul do mar com o verde da vegetação densa. PERFEITO! O grande espírito estava em todo o meu redor, 360 graus de perfeição e pureza, sentia em mim a sua força, era o "nirvana" como alguns descrevem este estado de espírito.
Sai cerca de duas horas mais tarde, quase sem forças, e percorri o areal em contemplação, estava hipnotizado, em verdadeiro transe. Só acordei ao chegar de novo ao canal, parei e estiquei-me no areal, estava demasiado exausto para nova travessia. Não demorou muito até aparecer outro surfer que atravessou o canal a pé junto á foz para meu espanto, junto á zona de rebentação a profundidade não era um obstáculo, afinal a maré já tinha atingido o ponto de vazante e estava já a começar a encher, aventurei-me confiante depois de trocar umas palavras com o tipo que chegava, mas ao chegar a meio a água dáva-me pelo peito e arrastava o meu corpo exausto que procurava o equilíbrio a todo o custo lutando contra as vagas que entravam pelo canal a dentro.
Cheguei a tempo do pequeno almoço onde estavam todos. O sorriso enorme da minha gatinha, contente por me ver, era a única coisa que conseguia focar...
-"Então gato como foi?" Perguntou-me, mas como haveria de descrever-lhe o que tinha vivido? Limitei-me a falar na luta que tinha tido e no quanto estava cansado, incapaz de descrever ali naquele breve instante tudo o que havia vivido desde que abri os olhos nessa manhã. Duche rápido, roupa seca, e um olhar de agradecimento á tábua linda que me tinha proporcionado aqueles momentos únicos e lá estava eu a escolher umas deliciosas fatias de ananás, doce, como nunca me havia passado pelo estreito, papaias e melancias, acompanhadas por duas panquecas gigantescas cobertas de mel. Fiquei a sós com a gatinha que me fez companhia enquanto todos se apressaram a ir para a praia. E ai sim ao meu ritmo, lento e pachorrento, tentei explicar o que se tinha passado enquanto sentia o meu corpo a recuperar energias a cada dentada naquela suculenta fruta. O resto da manhã foi passado debaixo de uma árvore com um livro entre mãos, interrompido ocasionalmente pela curiosidade de uma iguana que parecia incomodada com os invasores do seu idílico espaço, logo preocupada em defender o seu território de outras concorrentes da mesma espécie... Escusado será dizer que era muito difícil concentrar-me na leitura com toda esta "actividade" que decorria em meu redor, sem dúvida muito mais interessante do que as palavras de um Turco prémio Nobel por questões politicas e não literárias, o que confirmou a minha teoria de que hoje em dia a qualquer fiel farrapo é atribuído um prémio Nobel ao sabor das conveniências. O almoço chegou, um buffet rico e variado, onde se podia depenicar de tudo um pouco, seguido de uma "siesta" retemperadora, a partilhar o amor encaixado na minha gatinha, sentindo o seu cheiro no pescoço perfeito e de pele suave e delicada. Existe outra forma de adormecer em paz? Acordamos sem a pressão dos horários impostos, e procuramo-nos para um abraço sentido como fazemos habitualmente como que a recuperar do tempo em que nos desligamos um do outro para divagarmos nos nossos sonhos individuais. Ao chegar á praia deparo-me com um cenário completamente diferente apesar de estar no mesmo local, as tardes são cinzentas e chuvosas nesta época do ano apesar da temperatura constante de 28 a 30 graus, conferindo ao mar um tom acinzentado, escuro, mas igualmente belo, o canal que distava cerca de 20 metros entre margens durante a manhã estava agora separado por 100 metros, as rochas haviam desaparecido junto com o areal, e no mar cinzento vagas que atingiam agora os 2 metros potenciadas pela enchente e um "crowd" de surfers experientes que nos brindavam com as suas manobras mesmo no que era anteriormente a foz do tal estreito agora completamente transformado. Passou por mim um "cota" notável, carismático, de barbas longas brancas e cinzentas, cabelo comprido no mesmo tom e com uma "big gun" debaixo do braço, o seu ar revelava o que sentia... como eu o compreendi... Quando for mais velho quero ser como este tipo, pensei para mim... A gata estava esparramada numa espreguiçadeira de volta do seu livro e eu contemplava os "pros" e as suas técnicas até me ver envolvido num improvisado match de volei de praia em equipas mistas dos 10 aos 60 anos, trocamos bolas e sorrisos de alegria e improvisavamos dialectos para comunicar entre Tugas, locais, italianos e espanhóis, alemães e holandeses, Anglo saxónicos... Ninguém ficou incompreendido.
O Jantar foi mais demorado, a agradável conversa, o vinho, fazem o relógio adiantar como uma locomotiva pondo fim a um dia memorável. Índio dormiu feliz nessa noite... e nas que se seguiram. :)

domingo, 24 de agosto de 2008

A história dos macacos...

"A história dos macacos da ilha de merda reza assim:
Algures numa terra distante, havia uma ilha de merda. Sem nome nem nada. Uma ilha de merda com a forma de um monte de merda. Ali cresciam palmeiras com uma forma de merda. E as palmeiras davam côcos que sabiam a merda. Mas ali também havia macacos, que adoravam os côcos que sabiam a merda. E cagavam excremento de merda. A merda caia na terra, aumentava a camada de merda e as palmeiras que ali cresciam eram cada vez mais de merda. Um ciclo vicioso de merda!!"

Uma pérola de merda recebida por sms...

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

terça-feira, 8 de julho de 2008

A tempestade



A luneta do índio aponta hoje aos mercados ocidentais, à crise e ao subprime.
Confesso sentir alguma felicidade ao assistir a esta derrocada geral do sistema financeiro montado pelos caras pálidos.
Durante os últimos anos assistimos a uma mega lavagem cerebral por todos os meios de comunicação conhecidos actualmente a promover o crédito e o consumo a taxas astronómicas em letras minúsculas em rodapé (lembro o irónico slogan do BCP - "vire a sua vida de pernas para o ar"; precisamente o que a instituição faz hoje aos seus clientes na busca dos últimos níqueis que possam existir nos bolsos vazios).
O negócio ia de vento em popa, ao remunerar os depósitos a prazo com taxas microscópicas e emprestar a taxas astronómicas, os bancos e outras "instituições" financeiras participam num frenesim de lucros sem precedentes na história, mas a ganância gerada por tal frenesim levou ao empréstimo desregulado a qualquer "fiel-farrapo" que em tempos idos nem teria direito a um livro de cheques, podia hoje comprar casas sobrevalorizadas por um triunvirato de banqueiros, construtores e agentes imobiliários, um triunvirato de abutres cuja única riqueza que se lhes conhece hoje é alvenaria e betão, ou seja, poeira...
Não foi ha muito tempo que a defenição de pobre era morar em casa arrendada, não possuir automóvel ou ter um próprio com mais de cinco anos (vulgo chasso), e nunca ter posto os pés numa qualquer praia tropical, esse pobretanas de outros tempos é hoje o único que consegue ainda por comida em cima da mesa diáriamente, ao contrário de outros, os tais novos ricos falidos.
Os tempos mudaram, as novas gerações de hoje (leia-se geração rasca) algo esclarecidas em alguns casos ou impelidas noutros, não entram no negócio da compra de poeira a pagar em 80 anos à taxa indexada "EURIBOR", o aumento de matérias primas (fruto da fuga de especulação de bolsa para activos tradicionais) levou a taxas de incumprimento sem precedentes na ordem dos 20% do total de créditos concedidos (pena não estar ainda nos 80-90% para alcançar a derrocada completa do sistema, o tal grito de guerra de que falo num dos primeiros posts deste blog, ainda a crise estava em processo embrionário).
Em 2007 a desconfiança instala-se no mercado entre as "instituições" financeiras, ao não se saber qual a próxima que iria quebrar. Os "investimentos" entre elas estagna e começa ai a derrocada do castelo de cartas (Ex. Northern Rock, UK).
Em Agosto de 2007 o BCE injecta (gosto deste termo) no mercado cerca de 95 mil milhões de euros com o objectivo de restabelecer essa confiança perdida entre as "instituições". Um placebo que serviu a alguns. Na Alemanha e Suiça são abertas linhas de crédito PÚBLICO para salvar várias "instituições" da falência. No Reino Unido, Alistair Darling, o ministro das finanças NACIONALIZA o "Northern Rock" com a correspondente injecção de dinheiros PÚBLICOS, para de seguida o devolver aos seus "amigos" banqueiros. Até que chegamos à tristemente celebre declaração de Josef Ackermann, presidente do Deutsche Bank, onde reconhece que o mercado não consegue resolver a crise em espiral por si mesmo e pede a intervenção estatal, prontamente acedida.
É o fim da actual "realpolitik" vivida até aqui, as poupanças, fruto de trabalho e sacrifício de gerações de Europeus são usadas para alimentar esta máquina devoradora, provocando os escândalos noticiados nos media (Der Spiegel - Banqueiros assaltantes) e a revolta de alguns grupos sociais na Europa.
Em Portugal, só o Francisco Louçã se fez ouvir e bem com a sua frase "-Privatizam-se os lucros e nacionalizam-se os prejuizos" ao passo que o ilustre ministro das finanças Teixeira dos Santos afirma que Portugal está imune á crise... Revelando uma ingénua (estou em crer) ignorância no mínimo, vindo uns dias mais tarde a reconhecer que a situação era imprevisível... reforçando a incompetencia anteriormente demonstrada. Lembro que os dados da União Europeia revelam que a exposição do sistema financeiro nacional a capitais estrangeiros, o elevado endividamento das familias (102% do PIB, o mais elevado da Europa) ainda por cima na sua maioria indexado a taxas variáveis criam um cenário muito favorável ao incumprimento.
Ficará para a história destes tempos, bem ao estilo "western", a fuga dos CEO's do Citigroup, Chuck Prince com 40 milhões USD's no bolso, do Merrill Lynch, Stan O'neal, que auferia um salário que rondava os 4 milhões USD's mensais (superior ao PIB de alguns paises) com um pacote de indemenizações de 161 milhões de USD's, ou o James Cayne do Bear Stearns que antes de se retirar adquiriu um apartamento em manhattan por 26 milhões de USD's a pronto. O Chuck, o Stan, e o James são os que se podem rir desta palhaçada toda...
"- levo aqui os meus 160 millions e deixo o buraco com vocês, desculpem lá qualquer coisinha... qualquer coisa podem sempre falar com os vossos bancos centrais... adios muchachos!!!!"
É o fim? Estaremos condenados? Existe solução?
Será o fim de alguns concerteza... condenados? Não se deixem levar pela intimidação do medo que vos entra pelas casas dentro na forma de sinal televisivo. A solução existe sim, e está na hora H para a por em prática...

http://www.correcotia.com/bolobolo

Este modelo escrito por um Suiço em 1987 descreve um novo modelo de organização social. Ousado? Utópico? - Sem dúvida. Perfeito? - Longe disso...
Alimento a esperança de um dia ver este modelo em prática, e passar dos esporádicos focus que despontam por esse mundo fora a uma realidade universal. Atingimos hoje na Europa todas as condições para o tornar realidade. Porque esperamos?
Cabe a cada um de nós escolher de que lado da barricada queremos ficar. Eu por mim, e como o seguro morreu de velho, levantei o dinheiro até ao último centimo (como era já habitual), eu escolhi não participar nesta palhaçada a que assisto, e dou hoje os primeiros passos para tornar o sonho realidade. O sonho imortalizado na música e letra de John Lennon "Imagine".

John Lennon
Imagine (1971)
Imagine

Imagine there's no heaven
It's easy if you try
No hell below us
Above us only sky
Imagine all the people
Living for today...

Imagine there's no countries
It isn't hard to do
Nothing to kill or die for
And no religion too
Imagine all the people
Living life in peace...

You may say I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope someday you'll join us
And the world will be as one

Imagine no possessions
I wonder if you can
No need for greed or hunger
A brotherhood of man
Imagine all the people
Sharing all the world...

You may say I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope someday you'll join us
And the world will live as one


Não temam a mudança
O mundo dificilmente mudará para pior...

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Ein Engel

Iza
Ich fühlen dich
Gib mir kraft
Ich werde immer bei dir sein
Und du sollst teil des ganzen sein
Ohne dich ich auch allein
Mein herz brennt
Kann ich nicht sein ohne dich
Halt mich mit tausend armen fest
zerrt mich in ihr liebesnest

Vom Konhama die Iza,

Ich bin so verliebt

domingo, 15 de junho de 2008

Anónimo

Foi uma boa surpresa que tive ao verificar as "etiquetas" do meu último "post" e descobrir diversos "posts" semelhantes nos temas abordados e com a mesma linha de pensamento. O holocausto retratado no livro de Américo Cardoso Botelho não deixa ninguem indiferente.
Contudo o tema deste "post" é outro, o anonimato, ferozmente atacado por Miguel Sousa Tavares numa crónica do semanário "expresso" onde retrata os "blogs" anónimos que proliferam na rede como uma fonte de maldizer gratuito, perjurio e mentiras orquestradas ao abrigo desse mesmo anonimato. Miguel Sousa Tavares tem a felicidade de ser originário de um pais onde a tolerância e a liberdade de expressão são um dado adquirido, e onde, mesmo sendo lesivas aos interesses pessoais ou de estado, essas afirmações são toleradas. Miguel Sousa Tavares não corre o risco de ser vítima de repressão fruto das suas opiniões. Gostaria de lembrar o caso "José Lello", para dar continuidade ao último "post" e para demonstrar que o anonimato pode ser, em alguns casos, a forma de se conservar a vida e a liberdade. Este caso remonta a Novembro de 2007 e transcrevo:


"Cabinda - José Fernando Lello, correspondente da radio Voz da América (VOA) em Cabinda foi «raptado por indivíduos fardados e fortemente armados, pertencentes às Forças Armadas de Angola (FAA)» esta quinta-feira, 15 de Novembro, denunciou o activista cívico, Raul Danda.
«Na quinta-feira, 15 de Novembro de 2007, José Fernando Lello, correspondente da Voz da América em Cabinda e colaborador da empresa Algoa, empreiteira subcontratada pela Chevron, no Malongo, foi raptado por indivíduos fardados e fortemente armados, pertencentes às FAA, entre os quais estaria o Comandante da Força Aérea destacado na Planície do Malembo e um oficial afecto ao Tribunal Militar de Cabinda» denunciou Raul Danda. Segundo o activista cívico os raptores chegaram de manhã ao «Gate I», portão de entrada n/o 1 do campo petrolífero do Malongo, transportados por duas viaturas, uma das quais de marca Toyota Land Cruiser, da unidade da Polícia Militar, «para levarem a cabo a sua missão contaram com a colaboração dos efectivos da Tele-Service, segurança privada encarregue da protecção do campo».Por volta das 10 horas, Fernando Lello, que pretendia deslocar-se à cidade de Tchiowa, capital de Cabinda, em companhia de um colega de serviço, apenas identificado por Kazy, foi interpelado por uma agente da Tele-Service, que pediu insistentemente que Lello não saísse do perímetro do Campo sem antes conversar com os «visitantes» que, entretanto, tinham ocupado o gabinete operacional da Tele-Service. «Enquanto Kazy esperava, Fernando Lello foi conduzido ao referido gabinete onde o azar o esperava. Depois daí, ninguém mais veria nem ouviria o jornalista, levado à força para destino desconhecido» afirmou Raul Danda.«Os raptores ainda chamaram o Supervisor directo de Lello, o cidadão português Victor Ramos, a quem quase ordenaram que despedisse a sua vítima, tendo-lhe, em seguida, entregue as chaves do seu carro pessoal. Em seguida, o jornalista foi conduzido para fora do Malongo e transportado sorrateiramente para Luanda, tendo sido imediatamente conduzido à Cadeia do São Paulo. A família, em Cabinda, passou grandes momentos de tormento, pois a informação relativa à localização do Lello só foi obtida na sexta-feira, já no final do dia».Contactado por alguns familiares, o supervisor Victor Ramos, teria dito que os militares mostraram-lhe um «mandado de captura» contra Fernando Lello, uma informação que, até ao momento, não pôde ser verificada.Fontes que contactaram Fernando Lello na cadeia onde está detido, disseram que ele é acusado de ser «promotor» de uma suposta rebelião em Cabinda.Segundo Raul Danda a situação das liberdades individuais em Cabinda «deteriorou-se consideravelmente, após a assinatura do dito Memorando de Entendimento entre Bento Bembe e o Governo Angolano, multiplicando-se os casos de prisões arbitrárias e os actos de intimidação e de espancamento dos cidadãos de Cabinda».
Em Setembro de 2007, o relatório da Amnistia Internacional (AI) denunciava que em Maio de 2006, agentes da polícia prenderam e detiveram brevemente Fernando Lello, quando este tirou fotos de agentes da polícia a espancar membros de uma congregação católica que assistiam a uma missa de reconciliação especial na catedral da cidade de Cabinda. Segundo a AI Fernando Lello foi conduzido à Direcção Provincial de Investigação Criminal (DPIC), onde a sua câmara e gravador foram confiscados «e ele foi alegadamente espancado». Cerca das 15h30, seis horas após a sua prisão, Fernando Lello foi libertado sem culpa formada. Embora ele recebesse, mais tarde, o seu gravador, a câmara não lhe foi devolvida pela DPIC, não obstante inúmeros pedidos. Fernando Lello informou a Amnistia Internacional de que, no dia 28 de Setembro de 2006, no seguimento de queixas dele, por escrito, ao Ministério do Interior, o ministério enviou uma delegação de inspectores da Polícia Nacional de Luanda a Cabinda, a fim de investigarem o seu caso. Segundo Fernando Lello declarou à AI, a delegação afirmou que a sua detenção tinha sido ilegal e uma violação dos seus direitos. Contudo, apesar desta afirmação, não houve aparentemente qualquer processo disciplinar contra qualquer agente da polícia e não foi oferecida qualquer compensação a Fernando Lello.

(c) PNN Portuguese News Network"

Este caso nunca foi divulgado nos "media" como a sua importancia o exige, e é a prova de que os interesses estão acima da condição humana.
Eu opto pelo anonimato para não sofrer represálias derivadas do pensamento divergente com os actuais padrões da sociedade dita moderna. Reconheço alguma razão nas palavras de Miguel Sousa Tavares, mas considero positivo para a liberdade de expressão a proliferação de "blogs" e lembro que cabe-nos a escolha de ler aqueles que nos possam adicionar algo e ignorar aqueles que usam e abusam do maldizer gratuito ou os que simplesmente não merecem qualquer tipo de credebilidade, sejam anónimos ou não. Devemos ignorar a obra de Fernando Pessoa na forma dos seus heterónimos? Julgo que não...
Estamos fartos dos senhores donos da razão!
Termino a desejar um feliz dia do pai, para aqueles que podem estar na companhia dos seus filhos e coragem para os restantes.
A liberdade não existe como nos querem fazer crer.

sábado, 14 de junho de 2008

Holocausto

Algumas luas depois do último post, Índio regressa ao seu espaço virtual para comentar um assunto ainda actual e de importância universal.
Estas últimas semanas foram dedicadas à leitura, o espírito de aventura de Manuel Martins e o relato da sua odisseia marítima em "Todos os ventos do mundo", livro que recomendo a todos os adolescentes lusófonos e o impressionante relato de Américo Cardoso Botelho, o "Holocausto em Angola", experiências vividas na primeira pessoa, um testemunho vivo dos acontecimentos que antecederam a independencia e os primeiros passos da jovem nação até aos dias de hoje.
É impossível ficar indiferente a este livro, à crua realidade nele retratada, uma compilação dos mais diversos crimes contra a humanidade, das mais hediondas humilhações a que se pode sujeitar o ser humano às mãos de verdadeiros demónios despidos de todo o tipo de sentimentos humanos. Estes demónios, que hoje ocupam os mais variados lugares de destaque na sociedade Angolana, dirigentes políticos, gestores de empresas "públicas", diplomatas em paises da União Europeia, escritores e "intelectuais" foram movidos a praticar este holocausto aniquilador contra os seus próprios irmãos pelas mais dispersas razões que vão da simples diferença de opinião política à cobiça de bens materiais das vítimas, à cobiça das suas mulheres, ou o simples prazer de matar por matar como se de um desporto se tratasse.
Esta "característica" forma de actuar perdura até aos dias de hoje, crimes perpétuados sempre tendo como pano de fundo a tristemente célebre cadeia de S. Paulo em Luanda. (Voltarei a este tema em outro "post" ainda em edição).
Este holocausto falado em Português tem como maestro a figura de Agostinho Neto, o conhecido "líder" pós-independencia influenciado por Russos, Cubanos e outros nacionais de antigos paises da esfera soviética do leste europeu.
Existe hoje em Lisboa uma rua que ostenta o nome deste "ilustre", discriminando outros semelhantes (Adolf Hitler, Josef Estaline, Slobodan Milošević e o recente Robert Mugabe). Seria então justo receber indicações de um taxista Lisboeta da seguinte forma: "- Desce a rua Agostinho Neto, vira à direita na Adolfo Hitler até à praça Estaline... Sim aquela praça com a estátua do Mugabe no centro, e é logo ali em frente ao jardim Milošević".
Ao ler a placa que ostenta o nome de tal personagem numa rua de Lisboa ocorre-me sempre à memória a sua ordem para eliminar os opositores do "seu" MPLA, da qual destaco a morte de Sita Valles, que juntamente com outras quatro mulheres foi maquiavélicamente violada e abandonada a uma morte lenta e agonizante provocada por uma hemorragia de um cobarde tiro na vagina. A extensa lista de "requintes" semelhantes está coligida no livro de Américo Cardoso Botelho, não recomendável a pessoas sensíveis.
Pessoa sensível será certamente o Sr Eng. Mira Amaral, ao aceitar representar em Portugal o BIC de capital Angolano, presumo que não lhe cause qualquer insónia a origem do dinheiro nem o hostil interesse que o mesmo representa, para este ex ministro de já longo curriculum de cargos públicos o dinheiro, mesmo manchado de sangue e fome, no fundo é sempre verde.
A mesma sensibilidade demonstrada pelo BES no célebre incidente com o convidado Bob Geldof, que formou a sua opinião apenas pelo que viu recentemente em Luanda, duvido que o Bob tenha lido o livro referido anteriormente. São poucos os homens com a independencia, coragem e liberdade suficientes para se expressarem como fez Bob Geldof na cara dos senhores engravatados, ofendidos e melindrados. Tal como B. Geldof, muitos outros se mostram fartos do actual rumo da humanidade. Cabe a cada um de nós fazer a escolha de que lado da barricada queremos ficar. A idade do capital atinge hoje o seu auge mas o seu fim já se avista, tenho esperança nas gerações que preocupam os políticos de hoje, essa divergência é no meu ponto de vista positiva e abonatória das novas gerações.
Termino com um vídeo cuja letra espelha esses sentimentos e que neste caso se aplica como uma luva. 70 anos depois do primeiro holocausto mediático a humanidade nada assimilou a avaliar pela passividade das Nações Unidas. Outros holocaustos se avizinham, Africa do Sul, Zimbabwe, Darfur em ebulição. Nós já temos um falado em Português...

http://www.youtube.com/watch?v=7ghqoYxmaUE

Agostinho Neto arde no inferno...

domingo, 30 de março de 2008

O escravo dos tempos modernos

Vende o seu bem mais precioso, o irrecuperável tempo, em troca de tudo o resto. Refém da hipoteca da sua própria casa e/ou do necessário abastecimento de bens essenciais para a familia este individuo é forçado a prescindir da sua vida própria em prol de uma máquina universal de trabalho implacável, castradora e criada pelo próprio homem. Desenraizado e forçado a conviver com outros mais ou menos conformados e sem consciência da sua condição, a viver num mundo fantasiado, rodeados de bens supérfulos e ridículos, treinados desde tenra idade em ambiente de concorrência permanente comportam-se como animais atiçados uns com os outros, estes a quem eu apelido de "zumbis", são os obreiros e cães de fila da máquina, que os recompensa de acordo com um padronizado "status" social.
Fugir a esta máquina oleada é a chave da felicidade, o gerir aleatório e cíclico do tempo que dedicamos ao abastecimento das vitais provisões e o restante tempo para dedicar á familia, á comunidade e aos mais velhos, e o precioso tempo que dedicamos a nós próprios, ás nossas ideias, hobbies ou ao simples enriquecimento pessoal através do conhecimento, para desta forma tornarmo-nos melhores indivíduos na nossa condição humana e não pela quantidade de bens que acumulamos pela vida fora ou simplesmente pela capacidade de consumo.
Quanto maior for esse mesmo consumismo, maior será o grilhão que nos prende á máquina.
Libertem-se!!!!


quarta-feira, 26 de março de 2008

How Fortunate the Man with None

From the play "Mother Courage"

You saw sagacious Solomon
You know what came of him,
To him complexities seemed plain.
He cursed the hour that gave birth to him
And saw that everything was vain.
How great and wise was Solomon.
The world however did not wait
But soon observed what followed on.
It's wisdom that had brought him to this state.
How fortunate the man with none.

You saw courageous Caesar next
You know what he became.
They deified him in his life
Then had him murdered just the same.
And as they raised the fatal knife
How loud he cried: you too my son!
The world however did not wait
But soon observed what followed on.
It's courage that had brought him to that state.
How fortunate the man with none.

You heard of honest Socrates
The man who never lied:
They weren't so grateful as you'd think
Instead the rulers fixed to have him tried
And handed him the poisoned drink.
How honest was the people's noble son.
The world however did not wait
But soon observed what followed on.
It's honesty that brought him to that state.
How fortunate the man with none.

Here you can see respectable folk
Keeping to God's own laws.
So far he hasn't taken heed.
You who sit safe and warm indoors
Help to relieve our bitter need.
How virtuously we had begun.
The world however did not wait
But soon observed what followed on.
It's fear of god that brought us to that state.
How fortunate the man with none.

Bertolt Brecht

segunda-feira, 24 de março de 2008

A ilha II


As iguarias


A ilha é rica em aromas e sabores, mas poucos são os que sabem aproveitar estas potencialidades, exceptuando um conhecido cozinheiro autodidacta, artista plástico de formação que mistura a sua "arte" com saber gastronómico, atraindo uma verdadeira legião de peregrinos de todos os cantos do mundo. O enorme carácter deste esclarecido revela-se no amor que dedica á sua obra como "criador", ao seu trabalho, á sua família e á comunidade que o envolve, bem como na obra social que dele depende. Foi com enorme prazer que conheci a sua obra, as suas iguarias e a sua filosofia de vida, da qual comungo.
Referencia á moamba de galinha e á deliciosa sobremesa de côco preparados por alguém que para além de afamada cozinheira, é também um coração enorme e aberto, sempre disponível para ajudar quando necessário. Não esqueço a forma como me salvou dois dias arruinados pela "burrocracia" e incompetência dos organismos oficiais.
E por último o famoso kalulu, o difícil kalulu, que surgiu por acaso nos últimos dias da curta estadia, como que a premiar o bolo dos dias passados com a cerejinha no topo. O peixe fresco e seco, as ervas aromáticas recolhidas nessa manhã e meticulosamente cortadas á mão, o preparar em brasas (porque no fogão a gás sabe diferente dizem), a mandioca, a banana, e a agradável conversa numa humilde casa que resiste ainda ao tempo dando guarida a outra comunidade abandonada á sua sorte.
Ainda existe quem sabe...

terça-feira, 4 de março de 2008

A ilha

Possui uma geografia física única e apaixonante, de origem vulcânica e vestida por um luxuriante manto verde de floresta equatorial, uma flora e fauna classificada como património mundial, praias de água transparente, em tonalidades de verde e azul, rica em peixe que a tornam um destino obrigatório para os apaixonados pelo mergulho. Estaria a descrever um paraíso não fosse a presença do homem, essa praga, que destroi tudo o que está ao seu alcance.



A sua geografia humana e história lamentável fazem deste paraíso um pequeno inferno para aquele que teve a infelicidade de lá nascer e ser nacional de um pais fantoche liderado por uma pequena monarquia disfarçada de democracia, simplesmente porque fica mal ser de apenas um partido único de teor comunista nos dias que correm.
Armada com uma legislação hilariante, esta pequena casta dirigente absorve para si toda a ajuda internacional e saqueia os restantes 95% da população que não passa fome graças á riqueza natural da terra e de algumas ruínas de infraestruturas deixadas ao abandono por caras pálidos obrigados a abandonar o fruto do seu trabalho á luz de uma revolução rácica e marxista.
A propaganda tomou o lugar da educação, os cuidados de saúde são inexistentes, a saúde pública constantemente ameaçada por cães abandonados e doentes, esgotos a céu aberto, lixo sem recolha ou tratamento, tudo isto encarado com uma normalidade irritante, de quem nunca conheceu uma outra forma de estar, e de uma dormência também irritante dos poucos afortunados que já conheceram outras culturas. Claro que nada disto aparece nas noticias da RTP África ou vem descrito num qualquer romance que tenha os trópicos como pano de fundo.
Os nativos destas ilhas, páridas sem ter direito a opção, exibem um orgulho exacerbado pela propaganda intoxicante de que são vítimas, em alguns casos agravado ainda por uma tentativa de disfarçar absurdamente um complexo de inferioridade induzido por preconceitos rácicos. Destaco as excepções com que me cruzei e que relato em pequenas histórias que completam a aventura.




Abram alas, sua Exa. vai voar e o passeio do palácio

Na sala de embarque, depois de um atribulado check-in, já com as bagagens dentro do aparelho surge o telefonema do "estado maior general do staff de suas exas" vulgo "sistema", bagagens fora do aparelho e vai de esperar cerca de 6 horas para que sua Exa terminasse uma reunião e juntamente com a sua comitiva de serviçais, lambe-botas, altas patentes militares e outras sanguessugas usurpou o aparelho, que por esta hora já tinha tido tempo de ir e regressar nas calmas (a viagem dura uns míseros 35 minutos) no mínimo duas vezes, para uma deslocação inter-ilhas concerteza para resolver um assunto de estado urgente... (ou seria apenas uma almoçarada?).
Dos dois voos agendados para esse dia apenas um se realizou, com a consequência de alguém ter de ficar de fora, contas feitas, acabou por ficar em terra uma equipa de profissionais de saúde carregada de material hospitalar, era de prever, não pagaram bilhete... tss tss... no valor de 3 ou 4 ordenados mensais... O avião é propriedade de um particular, empresário europeu que possui um famoso resort ávido de um abastecimento constante de turistas endinheirados que, como é lógico, não se coaduna com horários africanos... Esta personagem faz o nobre favor de ceder (mediante certa quantia) o avião ás linhas aéreas locais para 2 ou 3 voos por semana sempre sujeitos a cancelamentos surpresa.

Num dos passeios a pé pela capital passo por um "STOP" escrito á mão no chão de um passeio junto ao palácio do (des)governo (julgo eu), com uma seta a apontar para a estrada, continuo a andar indiferente ao insólito sinal e reparo num militar armado com uma espingarda automática AK47 a fazer-me sinais estranhos com a mão, ao passar por ele sou repreendido como se fosse algum criminoso:
- Não me viu a fazer-lhe sinal?
- Não percebi a sinalética...
- Tem que circular na estrada, não pode andar no passeio do palácio... não viu o STOP?
- Ehrrr não... se eu tenho de circular na estrada por onde circulam os carros?
- Tem sorte em ser turista e não saber as regras deste país! Senão iria preso!
O diálogo terminou ai, a última coisa que queria era conhecer a cadeia naquele ermo, bastou conhecer o mercado... e depois, um homem armado com um fuzil automático tem sempre razão...


É branco - É rico!

E eu até nem sou branco, sou mestiço fruto de uma família multirracial mas nem assim me livrei deste mito entranhado na mentalidade dos nativos destas ilhas. As maiores facilidades apresentadas no inicio da negociação, onde nunca se fala de preços levam o incauto a aceitar tudo e a ficar sem alternativa na hora final quando lhe apresentam a conta, por isso, olhos bem abertos, como em qualquer outra parte de África, negociar é uma arte, tudo é negócio, e lembrem-se sempre de falar no preço antes de aceitar seja o que for... Não digam que não avisei... Até aqui tudo bem, o problema surge quando aparece "o tal" Chico esperto típico que se julga superior e muito "vivo" ai nesse caso é inevitável terminar em confusão!

O Guia

No interior da ilha, montanhoso, coberto por uma luxuriante vegetação existe um parque natural outrora financiado pela UE, neste momento ao cuidado de um grupo local e ONG's maioritariamente francesas. Os trilhos a percorrer a pé pela floresta chegam a qualquer parte da ilha em distancias "relativamente" curtas, mas é necessário conhecer-los bem. O nosso guia foi recrutado a uma ONG local e surgiu fruto de uma conversa instantânea á chegada. Na casa dos 30 anos, admirei de imediato a sua calma forma de estar, a voz meiga e o falar pouco além do estritamente necessário, raro numa cultura que adora o exibicionismo pessoal. Acertamos os valores (África) e partimos de imediato. Ao percorrer os trilhos, os segredos da floresta, a sua flora e fauna iam sendo desvendados por aquele esclarecido nativo. Admirável a forma como caminha de sentidos alerta, reconhecendo sons, e as utilizações práticas de cada folha, casca ou raiz, conhecimento empírico mas sem dúvida interessante. Fascinante a forma delicada como tocava nas folhas e flores enquanto se esforçava para nos transmitir os conhecimentos que possuía, revelador de um profundo respeito pela natureza e pelas formas de vida que dela dependem. Sem dúvida merecedor de uma bolsa de formação numa qualquer área biológica á sua escolha. Pena eu não ter uma fundação... Não teria o meu nome nem seria apenas para usufruto de dinheiros públicos como algumas que proliferam por ai...

Turtle Auschwitz

As diversas espécies de tartarugas já sentem uma enorme dificuldade em encontrar uma praia livre da presença massiva do homem em zonas tropicais, para aumentar ainda mais a dificuldade de sobrevivência dos novos rebentos de tartaruga, para além das aves de rapina, raposas, humanos, uma panóplia de predadores marinhos que as esperam no seu primeiro mergulho da vida, existe agora uma nova ameaça: o ecologista/protector dos animais. Pois é! Este novo predador, possuidor de uma estratégia infalível para caçar tartarugas bebes em massa que consiste em caçar em grupo, liderados por um ecologista de renome europeu, que injectou dinheiro numa pequena comunidade local em troca da construção de um pequeno resort "ecológico" promove uma onda de recolectores de ovos de tartaruga, (cuidado que até o simples turista pode fazer este papel), para os levarem para um centro de incubação a que eu apelidei de "turtle auschwitz". Um pequeno quadrado 4x4 mts em cimento com a altura de 7 - 10 cm cercado por uma rede de galinheiro esburacada por cães, gatos, raposas ou outros animais de duas a quatro patas. As tartarugas cujos ovos tenham sido descobertos e recolhidos neste "centro de incubação" ficam assim a depender de um milagre para conseguir chegar ao mar, a não ser que depois de lutar contra um gavião, duas raposas, e um cachorro sarnento, tenham nascido com aptidão para o salto á vara para ultrapassar o muro de cimento para fugir da insulação, e chegarem ao mar depois de se desviarem de uns quantos turistas com máquinas fotográficas a cega-las terem ainda força para enfrentarem os peixes... Vida complicada das tartarugas em África...

Em edição os textos:
Turtle auschwitz
O guia
e outros ainda sem título para breve...

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

saturday night @ Aberdeen, or, a few weeks later...

Encontrei-a umas semanas depois, no mesmo antro, sorri e agradeci aos deuses este novo reencontro, pois não haviamos trocado qualquer tipo de contacto, dirigi-me a ela, sorridente e confiante, ao tocar-lhe no ombro surpreendo-a:
-" Hey! How u're do'in?"
Não menos surpreendente foi a resposta dela:
-" Who are u?"
-" Don't remember me?"
-" Should i?"
(Pausa)
-" Bahhh!!!!" E ao soltar este "bah" de desagrado viro-lhe as costas e dirijo-me de novo para o galho de abutre que ocupava antes desta situação embaraçosa, ainda a tempo de ouvir outro desaforo:
-" Crazy bastard!"
Paro, faço outra pausa incrédulo, olho para trás e saiu-me esta:
-" Fuck off, sweetie!!!" E continuo a andar incrédulo com o que se tinha acabado de passar, e algo satisfeito pelo olhar estarrecido dela e da amiga gordinha, o que ambas resmungaram depois já não entendi, mas faço uma pequena ideia...

E desta forma se esfumou o sonho... lição: nem tudo o que parece é... Kimosabe

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Friday night @ Aberdeen

O trabalho terminou tarde, por volta das 2330, era sexta feira, o final de uma semana desgastante, estava cansado mas com uma enorme necessidade de ocupar a mente com algo diferente das habituais rotinas de trabalho, preparei um café e juntei-me ao grupo que falava sobre um qualquer assunto sem graça, reparei no E. que também estava calado, um tipo reservado que só abre a boca quando tem algo realmente interessante ou importante a dizer, podia ser uma boa companhia - aproveitei para lançar a dica para o ar:
"Vamos dar uma volta até ao centro da cidade?"
Os olhos do E. brilharam e a resposta foi curta e convincente:
"Vamos! Vou-me vestir!"
Estava-mos em meados de Dezembro, a temperatura não ia além dos 3º positivos, a distância a percorrer a pé e o cansaço não foram motivos que nos impedissem de espairecer, afinal, sentir o ar frio no rosto sabe sempre bem. Á medida que nos aproximava-mos do centro as ruas ficavam cada vez mais povoadas por hordas de zumbis alcoolizados. Finalmente a Union Street, vimos de tudo um pouco, pessoas em manga curta, decotes arrojados, kilts, muitos já deitados pelo chão...
"chegamos tarde demais... já estão todos bêbados!!!!"; A policia e os paramédicos não tinham mãos a medir... O E. conhecia bem a cidade, eu estava apenas na minha segunda saida e primeiro fim de semana... Primeira paragem o "Soul", imponente igreja convertida em discoteca, com um bar central e com um Dj no altar, lindo... Um local de culto! Ambiente ao rubro, copos derramados e muito charme! Estava como peixe na água, já o E. esse estava algo deslocado, não era o seu "habitat"... Fiz-lhe sinal para sair-mos, ao que acedeu prontamente, ao passarmos a porta afirmou: "Vamos ao "Chicago"... tem um ambiente mais diversificado! Vais gostar!" Não evitei parar para um último olhar para o edifício em granito escuro, imponente, gótico, marcante, como se lhe prometesse um breve regresso. Chegamos ao "Chicago", uma antiga sala de cinema convertida em disco, clássica, "decor" ao estilo "sixties" americano, cheia, som 80's e 90's a lembrar as "ladies nights" do "Plateau". O relogio marcava 0200, faltava apenas 1 hora para encerrar o antro mas parecia que a noite ainda iria durar por muitas horas mais. Ao fim da segunda "pint" as inibições morreram, o E. estava já a interagir com um grupo de três mulheres maduras quando o meu olhar se cruzou com uns pequenos olhos verdes que me observavam atentamente... Ela dançava com estilo, longos cabelos lisos, loiros, pele branca, face desenhada com rigor de artista, elegantemente vestida com umas calças de tecido pretas justas e top azul a realçar bem a sua perfeita silhueta femenina. :)
Estava-mos "presos" um ao outro pelo olhar, que ao ser interrompido por alguém que nos tapava o campo de visão nos fazia rápidamente procurar nova posição para re-estabelecer contacto. A cumplicidade era enorme e ficou reforçada pelo sorriso trocado depois de "contornar" outro "obstáculo" que se colocou entre nós. Ao ouvir os primeiros acordes da faixa "underwater love" dos "smoke city" olhei para o Dj em sinal de agradecimento pela sua inspiração e livrei-me da "pint" que tinha na mão numa mesa próxima, fiquei a escassos centímetros dela fixado nos brilhantes olhinhos verdes e nas sardinhas lindas e balbuciei um atrapalhado:
"May I have this dance with u?"
A resposta foi rápida e acompanhada por um enorme sorriso lindo:
"Thought u'd never asked..."
Fiquei derretido pela sua voz femenina e pelo sotaque bem marcado... muito sexy!
O encaixe foi perfeito entre os nossos corpos, sentia bem todos os seus passos, antecipados pela minha mão direita colada nas costas, a fazer alguma pressão que nos mantinha colados pelas ancas, já estavamos á vontade um com o outro como se já tivessemos várias horas de treino, bastaram alguns segundos... Ela decide "puxar" por mim, estava claramente a estudar-me, e lenta e ritmadamente flete as pernas... eu sigo-a, e quando voltamos acima ria-mos ambos como uns tontos...
-"I'm I. and u?"
-"I'm B."
-"B.?!?!?" Admirada por ser um nome pouco comum por aquelas bandas, ela tem um nome de fada que se adecua na perfeição. Tomo a iniciativa e faço-a rodopiar na minha frente, ela corresponde e ficamos com as faces coladas o resto da música. As amigas começam a reunir as tralhas e a preparar a saida, ela inquieta-se mas fica mais uma musica comigo, era a terceira, e esta destoava, uma música tradicional escocesa que não fazia a mínima ideia de como se dançava, confessei-lhe isso e ela responde com um: -"Don't worry, just follow me!" e ai estava eu pronto para segui-la onde quer que fosse... :)
Era a música que fechava o antro, o silêncio nas colunas apanhou-nos de surpresa, ficamos com ambas as mãos dadas como que a contemplarmo-nos mutuamente durante alguns segundos, ela aproxima a face e beija-me nos lábios com os olhinhos fechados, fiquei a saborear a descarga de endorfinas e o ritmo acelarado a que o meu coração agora batia, sem ter tempo para me recompor ela volta a beijar-me... o primeiro beijo também lhe tinha sabido a pouco, afasta-se e diz-me:
-" I realy have to go..." As amigas haviam resmungado qualquer coisa entretanto...
-" Hope to see u again!"
-" Me too... bye!" Retorqui, sem ter quase tempo para terminar a frase pois os lábios dela estavam novamente colados aos meus. Abre os olhos, respira fundo e volta-se para as amigas que lhe passam um raspanete... Estou em transe ao vê-la sair, volto á realidade com um dos seguranças a dizer-me que tinha de sair também, olho em redor, procuro o E. este ria ás gargalhadas já com outra "pint" na mão para mim, ao agarrar o copo pergunto-lhe:
-" Onde está a graça?"
-" Estavas hipnótizado!"
-" Estava mesmo E., estava mesmo..."
-" Queres ir a outro lado?"
-" Não E., já ganhei a noite hoje e amanhã é outro dia!"