segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Morar em Lisboa é... I

Inauguro hoje uma nova rubrica neste Blog às moscas intitulado morar em Lisboa é... Serão textos temáticos e numerados contendo as peripécias do dia a dia na cidade. Depois de armar a tenda em Lisboa, o grande chefe mau fígado começou a reunir piadas dignas de figurar neste espaço, sendo a primeira...


O Esgoto

Pois... Começa logo a cheirar mal este texto! Depois de assentar as tralhas por estas terras selvagens recebo logo a visita de um cara pálido com uma carta na mão, remetida por um bando de caras pálidos que se auto-intitulam Câmara Municipal de Lisboa. Por terem ar de donos das terras, julguei estar perante uma recepção de boas vindas, mas não... Ao ler a carta constato que se tratava de uma taxa a aplicar ao nativo por manutenção de esgotos... Na altura até me pareceu uma medida civilizada, mas assim que me dediquei a estudar o papel que tinha em mãos dou de caras com uma verdadeira aldrabice publicada em diário da república (das bananas) com os votos favoráveis de TODOS os partidos representados. Quando toca a extorquir taxas andam sempre de acordo os parasitas. A factura chama-se «taxa de manutenção de esgoto» e é calculada, não pelo comprimento do cano, mas sim pelo valor patrimonial do imóvel, uma curiosa aritmética que mistura esgoto e o produto de um valor curioso (que ninguém me consegue explicar a sua origem) com o valor da casa. RIDÍCULO!!!! Segundo a matemática primitiva do índio, este número mágico está relacionado com a fasquia dos 100,000€, ou seja, é um numero que multiplicado por 100,000 dê resultado aproximado de 50€. Aquilo a que os caras pálidos apelidam de valor "pagável"... Mas a macacada não termina aí, ao virar a página aparecem dois blocos de texto, o primeiro é a origem da referida taxa sobre a merd... que nos remete para o diploma LEI DAS FINANÇAS LOCAIS... Lei esta que joga bem com merd... esgoto... ratazanas... etc... A lei para "financiamento" das autarquias, sim porque a contribuição autárquica, o IMI imposto municipal sobre imóveis, o património público, as actividades realizadas, os transportes, as taxas aplicadas aos comerciantes, o parqueamento e o orçamento do estado não chegam para alimentar as ratazanas do esgoto da câmara de Lisboa. O outro bloco de texto, é a parte cómica, é aquela que reza assim... "expirado o prazo de pagamento voluntário...bla bla bla... juros de 1% ao mês...bla bla bla...instauração de execução fiscal...bla bla bla. Estamos perante a ameaça e a intimidação na própria factura... porque será? Obviamente que quem fez este aborto sabia de antemão que o povo indígena tenderia a enviar este tipo de "facturas" pelo cano. Curioso não é? Somos todos idiotas que não conseguem ler nas entrelinhas... Só falta referir que os "coitadinhos", "excluidinhos", "e os organismoszinhos públicos" não cagam... sim, como estão isentos presumo que usem os arbustos da cidade... um arbusto para o lelo e outro para o doutor. E assim andam uns de bandeirolas na mão a gritar: Bosta! Bosta! Bosta! e outros: Sacana! Sacana! Sacana!

Alguém que ponha fim a isto terá de jogar fora este sistema «pulhítico» em que vivemos à 35 anos, lembro que este tipo de leis são aprovadas com os votos favoráveis de TODOS os partidos para serem pagas por "quase" TODOS NÓS, o que torna o voto uma verdadeira inutilidade. Se o voto não serve, talvez o arco e flechas sirvam...