
A luneta do índio aponta hoje aos mercados ocidentais, à crise e ao subprime.
Confesso sentir alguma felicidade ao assistir a esta derrocada geral do sistema financeiro montado pelos caras pálidos.
Durante os últimos anos assistimos a uma mega lavagem cerebral por todos os meios de comunicação conhecidos actualmente a promover o crédito e o consumo a taxas astronómicas em letras minúsculas em rodapé (lembro o irónico slogan do BCP - "vire a sua vida de pernas para o ar"; precisamente o que a instituição faz hoje aos seus clientes na busca dos últimos níqueis que possam existir nos bolsos vazios).
O negócio ia de vento em popa, ao remunerar os depósitos a prazo com taxas microscópicas e emprestar a taxas astronómicas, os bancos e outras "instituições" financeiras participam num frenesim de lucros sem precedentes na história, mas a ganância gerada por tal frenesim levou ao empréstimo desregulado a qualquer "fiel-farrapo" que em tempos idos nem teria direito a um livro de cheques, podia hoje comprar casas sobrevalorizadas por um triunvirato de banqueiros, construtores e agentes imobiliários, um triunvirato de abutres cuja única riqueza que se lhes conhece hoje é alvenaria e betão, ou seja, poeira...
Não foi ha muito tempo que a defenição de pobre era morar em casa arrendada, não possuir automóvel ou ter um próprio com mais de cinco anos (vulgo chasso), e nunca ter posto os pés numa qualquer praia tropical, esse pobretanas de outros tempos é hoje o único que consegue ainda por comida em cima da mesa diáriamente, ao contrário de outros, os tais novos ricos falidos.
Os tempos mudaram, as novas gerações de hoje (leia-se geração rasca) algo esclarecidas em alguns casos ou impelidas noutros, não entram no negócio da compra de poeira a pagar em 80 anos à taxa indexada "EURIBOR", o aumento de matérias primas (fruto da fuga de especulação de bolsa para activos tradicionais) levou a taxas de incumprimento sem precedentes na ordem dos 20% do total de créditos concedidos (pena não estar ainda nos 80-90% para alcançar a derrocada completa do sistema, o tal grito de guerra de que falo num dos primeiros posts deste blog, ainda a crise estava em processo embrionário).
Em 2007 a desconfiança instala-se no mercado entre as "instituições" financeiras, ao não se saber qual a próxima que iria quebrar. Os "investimentos" entre elas estagna e começa ai a derrocada do castelo de cartas (Ex. Northern Rock, UK).
Em Agosto de 2007 o BCE injecta (gosto deste termo) no mercado cerca de 95 mil milhões de euros com o objectivo de restabelecer essa confiança perdida entre as "instituições". Um placebo que serviu a alguns. Na Alemanha e Suiça são abertas linhas de crédito PÚBLICO para salvar várias "instituições" da falência. No Reino Unido, Alistair Darling, o ministro das finanças NACIONALIZA o "Northern Rock" com a correspondente injecção de dinheiros PÚBLICOS, para de seguida o devolver aos seus "amigos" banqueiros. Até que chegamos à tristemente celebre declaração de Josef Ackermann, presidente do Deutsche Bank, onde reconhece que o mercado não consegue resolver a crise em espiral por si mesmo e pede a intervenção estatal, prontamente acedida.
É o fim da actual "realpolitik" vivida até aqui, as poupanças, fruto de trabalho e sacrifício de gerações de Europeus são usadas para alimentar esta máquina devoradora, provocando os escândalos noticiados nos media (Der Spiegel - Banqueiros assaltantes) e a revolta de alguns grupos sociais na Europa.
Em Portugal, só o Francisco Louçã se fez ouvir e bem com a sua frase "-Privatizam-se os lucros e nacionalizam-se os prejuizos" ao passo que o ilustre ministro das finanças Teixeira dos Santos afirma que Portugal está imune á crise... Revelando uma ingénua (estou em crer) ignorância no mínimo, vindo uns dias mais tarde a reconhecer que a situação era imprevisível... reforçando a incompetencia anteriormente demonstrada. Lembro que os dados da União Europeia revelam que a exposição do sistema financeiro nacional a capitais estrangeiros, o elevado endividamento das familias (102% do PIB, o mais elevado da Europa) ainda por cima na sua maioria indexado a taxas variáveis criam um cenário muito favorável ao incumprimento.
Ficará para a história destes tempos, bem ao estilo "western", a fuga dos CEO's do Citigroup, Chuck Prince com 40 milhões USD's no bolso, do Merrill Lynch, Stan O'neal, que auferia um salário que rondava os 4 milhões USD's mensais (superior ao PIB de alguns paises) com um pacote de indemenizações de 161 milhões de USD's, ou o James Cayne do Bear Stearns que antes de se retirar adquiriu um apartamento em manhattan por 26 milhões de USD's a pronto. O Chuck, o Stan, e o James são os que se podem rir desta palhaçada toda...
"- levo aqui os meus 160 millions e deixo o buraco com vocês, desculpem lá qualquer coisinha... qualquer coisa podem sempre falar com os vossos bancos centrais... adios muchachos!!!!"
É o fim? Estaremos condenados? Existe solução?
Será o fim de alguns concerteza... condenados? Não se deixem levar pela intimidação do medo que vos entra pelas casas dentro na forma de sinal televisivo. A solução existe sim, e está na hora H para a por em prática...
http://www.correcotia.com/bolobolo
Este modelo escrito por um Suiço em 1987 descreve um novo modelo de organização social. Ousado? Utópico? - Sem dúvida. Perfeito? - Longe disso...
Alimento a esperança de um dia ver este modelo em prática, e passar dos esporádicos focus que despontam por esse mundo fora a uma realidade universal. Atingimos hoje na Europa todas as condições para o tornar realidade. Porque esperamos?
Cabe a cada um de nós escolher de que lado da barricada queremos ficar. Eu por mim, e como o seguro morreu de velho, levantei o dinheiro até ao último centimo (como era já habitual), eu escolhi não participar nesta palhaçada a que assisto, e dou hoje os primeiros passos para tornar o sonho realidade. O sonho imortalizado na música e letra de John Lennon "Imagine".
John Lennon
Imagine (1971)
Imagine
Imagine there's no heaven
It's easy if you try
No hell below us
Above us only sky
Imagine all the people
Living for today...
Imagine there's no countries
It isn't hard to do
Nothing to kill or die for
And no religion too
Imagine all the people
Living life in peace...
You may say I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope someday you'll join us
And the world will be as one
Imagine no possessions
I wonder if you can
No need for greed or hunger
A brotherhood of man
Imagine all the people
Sharing all the world...
You may say I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope someday you'll join us
And the world will live as one
Não temam a mudança
O mundo dificilmente mudará para pior...


