sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

saturday night @ Aberdeen, or, a few weeks later...

Encontrei-a umas semanas depois, no mesmo antro, sorri e agradeci aos deuses este novo reencontro, pois não haviamos trocado qualquer tipo de contacto, dirigi-me a ela, sorridente e confiante, ao tocar-lhe no ombro surpreendo-a:
-" Hey! How u're do'in?"
Não menos surpreendente foi a resposta dela:
-" Who are u?"
-" Don't remember me?"
-" Should i?"
(Pausa)
-" Bahhh!!!!" E ao soltar este "bah" de desagrado viro-lhe as costas e dirijo-me de novo para o galho de abutre que ocupava antes desta situação embaraçosa, ainda a tempo de ouvir outro desaforo:
-" Crazy bastard!"
Paro, faço outra pausa incrédulo, olho para trás e saiu-me esta:
-" Fuck off, sweetie!!!" E continuo a andar incrédulo com o que se tinha acabado de passar, e algo satisfeito pelo olhar estarrecido dela e da amiga gordinha, o que ambas resmungaram depois já não entendi, mas faço uma pequena ideia...

E desta forma se esfumou o sonho... lição: nem tudo o que parece é... Kimosabe

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Friday night @ Aberdeen

O trabalho terminou tarde, por volta das 2330, era sexta feira, o final de uma semana desgastante, estava cansado mas com uma enorme necessidade de ocupar a mente com algo diferente das habituais rotinas de trabalho, preparei um café e juntei-me ao grupo que falava sobre um qualquer assunto sem graça, reparei no E. que também estava calado, um tipo reservado que só abre a boca quando tem algo realmente interessante ou importante a dizer, podia ser uma boa companhia - aproveitei para lançar a dica para o ar:
"Vamos dar uma volta até ao centro da cidade?"
Os olhos do E. brilharam e a resposta foi curta e convincente:
"Vamos! Vou-me vestir!"
Estava-mos em meados de Dezembro, a temperatura não ia além dos 3º positivos, a distância a percorrer a pé e o cansaço não foram motivos que nos impedissem de espairecer, afinal, sentir o ar frio no rosto sabe sempre bem. Á medida que nos aproximava-mos do centro as ruas ficavam cada vez mais povoadas por hordas de zumbis alcoolizados. Finalmente a Union Street, vimos de tudo um pouco, pessoas em manga curta, decotes arrojados, kilts, muitos já deitados pelo chão...
"chegamos tarde demais... já estão todos bêbados!!!!"; A policia e os paramédicos não tinham mãos a medir... O E. conhecia bem a cidade, eu estava apenas na minha segunda saida e primeiro fim de semana... Primeira paragem o "Soul", imponente igreja convertida em discoteca, com um bar central e com um Dj no altar, lindo... Um local de culto! Ambiente ao rubro, copos derramados e muito charme! Estava como peixe na água, já o E. esse estava algo deslocado, não era o seu "habitat"... Fiz-lhe sinal para sair-mos, ao que acedeu prontamente, ao passarmos a porta afirmou: "Vamos ao "Chicago"... tem um ambiente mais diversificado! Vais gostar!" Não evitei parar para um último olhar para o edifício em granito escuro, imponente, gótico, marcante, como se lhe prometesse um breve regresso. Chegamos ao "Chicago", uma antiga sala de cinema convertida em disco, clássica, "decor" ao estilo "sixties" americano, cheia, som 80's e 90's a lembrar as "ladies nights" do "Plateau". O relogio marcava 0200, faltava apenas 1 hora para encerrar o antro mas parecia que a noite ainda iria durar por muitas horas mais. Ao fim da segunda "pint" as inibições morreram, o E. estava já a interagir com um grupo de três mulheres maduras quando o meu olhar se cruzou com uns pequenos olhos verdes que me observavam atentamente... Ela dançava com estilo, longos cabelos lisos, loiros, pele branca, face desenhada com rigor de artista, elegantemente vestida com umas calças de tecido pretas justas e top azul a realçar bem a sua perfeita silhueta femenina. :)
Estava-mos "presos" um ao outro pelo olhar, que ao ser interrompido por alguém que nos tapava o campo de visão nos fazia rápidamente procurar nova posição para re-estabelecer contacto. A cumplicidade era enorme e ficou reforçada pelo sorriso trocado depois de "contornar" outro "obstáculo" que se colocou entre nós. Ao ouvir os primeiros acordes da faixa "underwater love" dos "smoke city" olhei para o Dj em sinal de agradecimento pela sua inspiração e livrei-me da "pint" que tinha na mão numa mesa próxima, fiquei a escassos centímetros dela fixado nos brilhantes olhinhos verdes e nas sardinhas lindas e balbuciei um atrapalhado:
"May I have this dance with u?"
A resposta foi rápida e acompanhada por um enorme sorriso lindo:
"Thought u'd never asked..."
Fiquei derretido pela sua voz femenina e pelo sotaque bem marcado... muito sexy!
O encaixe foi perfeito entre os nossos corpos, sentia bem todos os seus passos, antecipados pela minha mão direita colada nas costas, a fazer alguma pressão que nos mantinha colados pelas ancas, já estavamos á vontade um com o outro como se já tivessemos várias horas de treino, bastaram alguns segundos... Ela decide "puxar" por mim, estava claramente a estudar-me, e lenta e ritmadamente flete as pernas... eu sigo-a, e quando voltamos acima ria-mos ambos como uns tontos...
-"I'm I. and u?"
-"I'm B."
-"B.?!?!?" Admirada por ser um nome pouco comum por aquelas bandas, ela tem um nome de fada que se adecua na perfeição. Tomo a iniciativa e faço-a rodopiar na minha frente, ela corresponde e ficamos com as faces coladas o resto da música. As amigas começam a reunir as tralhas e a preparar a saida, ela inquieta-se mas fica mais uma musica comigo, era a terceira, e esta destoava, uma música tradicional escocesa que não fazia a mínima ideia de como se dançava, confessei-lhe isso e ela responde com um: -"Don't worry, just follow me!" e ai estava eu pronto para segui-la onde quer que fosse... :)
Era a música que fechava o antro, o silêncio nas colunas apanhou-nos de surpresa, ficamos com ambas as mãos dadas como que a contemplarmo-nos mutuamente durante alguns segundos, ela aproxima a face e beija-me nos lábios com os olhinhos fechados, fiquei a saborear a descarga de endorfinas e o ritmo acelarado a que o meu coração agora batia, sem ter tempo para me recompor ela volta a beijar-me... o primeiro beijo também lhe tinha sabido a pouco, afasta-se e diz-me:
-" I realy have to go..." As amigas haviam resmungado qualquer coisa entretanto...
-" Hope to see u again!"
-" Me too... bye!" Retorqui, sem ter quase tempo para terminar a frase pois os lábios dela estavam novamente colados aos meus. Abre os olhos, respira fundo e volta-se para as amigas que lhe passam um raspanete... Estou em transe ao vê-la sair, volto á realidade com um dos seguranças a dizer-me que tinha de sair também, olho em redor, procuro o E. este ria ás gargalhadas já com outra "pint" na mão para mim, ao agarrar o copo pergunto-lhe:
-" Onde está a graça?"
-" Estavas hipnótizado!"
-" Estava mesmo E., estava mesmo..."
-" Queres ir a outro lado?"
-" Não E., já ganhei a noite hoje e amanhã é outro dia!"