As iguarias
A ilha é rica em aromas e sabores, mas poucos são os que sabem aproveitar estas potencialidades, exceptuando um conhecido cozinheiro autodidacta, artista plástico de formação que mistura a sua "arte" com saber gastronómico, atraindo uma verdadeira legião de peregrinos de todos os cantos do mundo. O enorme carácter deste esclarecido revela-se no amor que dedica á sua obra como "criador", ao seu trabalho, á sua família e á comunidade que o envolve, bem como na obra social que dele depende. Foi com enorme prazer que conheci a sua obra, as suas iguarias e a sua filosofia de vida, da qual comungo.
Referencia á moamba de galinha e á deliciosa sobremesa de côco preparados por alguém que para além de afamada cozinheira, é também um coração enorme e aberto, sempre disponível para ajudar quando necessário. Não esqueço a forma como me salvou dois dias arruinados pela "burrocracia" e incompetência dos organismos oficiais.
E por último o famoso kalulu, o difícil kalulu, que surgiu por acaso nos últimos dias da curta estadia, como que a premiar o bolo dos dias passados com a cerejinha no topo. O peixe fresco e seco, as ervas aromáticas recolhidas nessa manhã e meticulosamente cortadas á mão, o preparar em brasas (porque no fogão a gás sabe diferente dizem), a mandioca, a banana, e a agradável conversa numa humilde casa que resiste ainda ao tempo dando guarida a outra comunidade abandonada á sua sorte.
Ainda existe quem sabe...



Sem comentários:
Enviar um comentário