domingo, 25 de julho de 2010

Insónias e negociatas

A propósito do texto anterior, Índio Mau fígado ficou com insónias e resolveu publicar para a posteridade a história da negociata do Aníbal "o sarraceno". Para ser justo a negociata até nem lhe pertence, ele apenas foi actor ingénuo, mas isso são considerações. A história verídica reza assim:
Era uma vez um certo idoso sábio que regia uma nação de idiotas e que a dada altura depois de analisados os recursos disponíveis decidiu criar uma empresa de transporte marítimo sem pedir dinheiro emprestado a ninguém. Assim nasceu a Sociedade Portuguesa de Navios Tanque SOPONATA. (Para quem não está a par da importância deste tipo de actividade económica recomendo a biografia de um tipo grego chamado Onassis). Esta empresa absorveu mão de obra especializada de regiões tradicionalmente ligadas a este sector de actividade como Aveiro, Figueira da Foz, Nazaré, Setúbal e Algarve. O país não estava dependente de ninguém no abastecimento vital ao sector energético e promoveu outros sectores como a construção naval e a refinação. Indústria pesada de Sines, Lisboa e Viana do Castelo. As estatísticas de crescimento da economia nacional conheciam máximos históricos nestas décadas. A empresa possuía ainda um fundo de pensões próprio para o qual descontavam todos os empregados por forma a garantirem na aposentação um extra somado à reforma devida pela segurança social. Os ventos da história sopraram e após o 25 de Abril, essa data mítica, as empresas foram nacionalizadas e entregues ao povo (ou polvo). Foi nessa fase que os sindicatos assumiram todo o seu esplendor, são conhecidas histórias de dias comuns de 24 horas em que se marcavam 25 e 26 horas extraordinárias. Foi criado um suplemento para trabalhos debaixo de estrados, logo apareceram indivíduos que andavam com um pedaço de estrado por cima do capacete reclamando dessa forma 24 horas de suplemento por dia, lagostas ao pequeno almoço, almoço e jantar entre outras tantas histórias dignas de uma sessão de teatro de revista. A mudança apareceu no final da década de 80 inicio da década de 90, a empresa começava a dar sinais de vitalidade e iniciou a construção de duas novas unidades em Setúbal no ano de 92. Apesar de tudo isto a margem de lucro conseguiu manter à tona a empresa. No reinado do rei Aníbal a busca de activos garantidos no imediato colocou esta empresa nas mãos de uma família com apelido escrito com dois "eles" os "MeLLo" que com algum capital próprio e o resto garantido por uma instituição financeira assumiram a gestão da empresa incluindo no pacote os estaleiros de construção naval de Lisboa e Setúbal. Nos dias seguintes estavam no mercado internacional à venda as unidades mais antigas desta empresa que ao concretizar-se a venda permitiu o encaixe imediato das verbas despendidas na aquisição, ou seja dias depois estava pago todo o investimento na totalidade (Como é fácil fazer negócio com o Sr Aníbal). O fundo de pensões desapareceu por artes mágicas sendo uma ínfima parte dele usado para quebrar contratos de efectividade com os empregados mais antigos e resistentes que se recusavam a sair da empresa apesar de algumas pressões. O saque durou até à construção de um império na saúde privada e na participação numa empresa moderna de filosofia feudal a BRISA garantindo a estes abutres um hospedeiro para parasitar ad-eternum na sociedade Portuguesa. No início do Século 21 os MeLLos finalmente venderam a empresa a um gigante americano arrecadando com esta transacção milhões de dólares em dinheiro vivo. Negócios assim fazem de uns mais "espertos" do que outros perguntando-se o Zé povinho ou melhor, Zé burrinho, como é possível estarmos hoje no estado em que estamos. Este caso é apenas um entre muitos outros que abundam nos destroços da nossa indústria pesada. Para quem quiser investigar estes casos mais a fundo, deixo aqui outros nomes por onde podem começar (aqui apelo a jornalistas de sangue na guelra e não a jornalistas malabaristas do plagiado). Profabril, CUF e a indústria química, EPAC, Dragapor. Deixarei para outros textos os casos da EDP e da PT cujo aparente sucesso se deve à custa de um preço demasiado elevado.

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