sexta-feira, 16 de julho de 2010
A viagem ambicionada
Índio Mau Fígado vive mais uma fase de grandes mudanças, novos rumos levam índio a viver experiências à muito desejadas. Passei toda a minha vida a ouvir histórias sobre um determinado lugar mágico, paradisíaco, fértil, quente e abastado. Estou finalmente a dar os primeiros passos por estas terras encantadas e a não conseguir processar à primeira a quantidade de informação que os meus sentidos me fornecem constantemente a cada segundo. Agora em exílio, recuo na memória e analiso cada segundo do que vivi nessas 24h intensas. O esqueleto de outros tempos permanece teimosamente a marcar a paisagem desfigurada por obras estranhas. A poeira que se entranha nos pulmões e que nos cobre de alto a baixo, o transito caótico tornam esta metrópole uma verdadeira babilónia onde a vida se processa de uma forma calma e pachorrenta porque quem não tem paciência aqui dá simplesmente em louco. Senti uma estranha proximidade com os antepassados, como sombras que me acompanhavam de uma forma imperceptível todos os passos fazendo questão de actuarem como sicerones abrindo as portas de uma experiência inebriante dentro de um labirinto que por alguma razão estranha já conhecia a saída. A anarquia reina por toda a parte, faz parte de todos e de tudo o que nos rodeia. A minha imaginação tenta desligar-se sem sucesso daquilo que esta terra poderia ter sido se o caminho traçado pelo homem fosse outro. O contacto com a realidade fere-me profundamente assim como os profundos contrastes entre quem nada tem e quem tudo tem sem nada ter. Para amenizar este sentimento dilacerante apenas o contacto com seres humanos extra ordinários que tenho conhecido durante esta curta oportunidade que me foi dada pelo universo. Curiosamente quase todos eles, independentemente da faixa etária, parecem confirmar de uma forma ou de outra aquilo que penso em breves e curtas conversas de ocasião. Por mais que tente fugir do assunto o mesmo teima em aparecer. Fujo do tema, finjo que nada sei, escondo-me na indiferença lutando contra a enorme revolta interior que esta nua realidade promove. Sinto que ainda tenho muito para ver e muito mais para transmitir. Até um próximo texto!
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